São José quer internação ´à força` de crack

Dia a Dia
Com a medida, já utilizada em relação a menores, viciado pode até ser internado de forma compulsória
Redação / O VALE

A Secretaria de Saúde de São José vai expandir para adultos dependentes químicos a opção de internação compulsória ou involuntária na comunidade terapêutica Nova Esperança, no Parque Interlagos, na zona sul.

A medida é adotada com adolescentes com guarda judicial. Eles são internados após avaliação e laudo médico e ordem do juiz da Vara da Infância e Juventude. Para tanto, a Secretaria de Saúde renovou ontem o convênio com a Nova Esperança, válido até julho de 2013. São 20 vagas disponíveis para internação masculina, metade delas para adultos. O contrato é de R$ 336 mil.

A diferença entre os dois tipos de internação –involuntária e compulsória– é que a primeira é um ato médico tomado sobre um paciente em um momento crítico. Já a segunda é um ato judicial. Feita à revelia do paciente, a internação compulsória vem causando polêmica e dividindo opiniões.

Há quem a defenda para salvaguardar a vida do usuário de drogas por ele não mais conseguir decidir o rumo de sua vida, em razão do consumo constante de drogas ou álcool.

Mas também existem opiniões contrárias, que apontam supressão dos direitos individuais e o risco de o paciente processar o médico.
“Falar em direito de escolha para viciado é absurdo, pois ele perdeu o poder de escolha e cabe à família e ao médico tomar a decisão de interná-lo”, disse, em nota, a psicóloga Marisa Lobo, coordenadora do movimento ‘Maconha não’.

Em São José, adolescentes são internados compulsoriamente a pedido de familiares, do Conselho Tutelar ou por meio de serviços de atendimentos social ou em saúde. Toda internação tem que ser determinada judicialmente.

“Temos obtido bons resultados na internação compulsória”, disse Patricia Minari, coordenadora do Caps-Ad (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) de São José.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas