Setenta por cento dos adolescentes já experimentaram bebidas alcoólicas

Jornal Hoje
Pesquisa foi realizada pelo Ministério da Saúde com jovens de 13 a 15 anos. Estatísticas mostram que quem começa a beber antes dos 15 anos tem quase cinco vezes mais risco de se tornar dependente.

Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde com adolescentes que moram nas capitais brasileiras constatou que 70% deles já experimentaram bebida alcoólica. Sessenta e um mil adolescentes entre 13 e 15 anos participaram da pesquisa.

O álcool é um fator de risco para qualquer idade, mas para um cérebro ainda em formação causa mais danos. As estatísticas mostram que quem começa a beber antes dos 15 anos tem quase cinco vezes mais risco de se tornar dependente do que quem ingere álcool depois dos 21 anos. Isso acontece porque os neurônios se adaptam à exposição ao álcool. É como se eles aprendessem a beber.

O hábito cria a tolerância, a resistência e a dependência. “Os neurônios começam a ter um surto de crescimento. Imagina eles crescerem em termos de uma aprendizagem inadequada, como o uso do álcool e das outras drogas que vêm juntos com o álcool”, explica o psiquiatra Jairo Werner.

Segundo a pesquisa, 22% dos adolescentes já se embriagaram e 9% deles experimentou drogas. “O álcool tem sido uma porta de entrada para outras drogas. O adolescente vai perdendo a censura e começa a ficar mais corajoso para fazer certas coisas”, afirma o psiquiatra.

Para Jairo, os pais precisam refletir se estão se omitindo e subestimando o problema do álcool: “Tem que colocar limite e saber que o filho para sair tem que ter responsabilidade. Um autocontrole para o adolescente, que vai levar isso para a vida inteira”.

Estudos mostram que ingerir bebida alcoólica de três a quatro vezes por semana é considerado um sinal de alerta e deve ser evitado. E como o psiquiatra disse na reportagem encarar o problema de frente com uma conversa franca com o adolescente – e se possível ajudar o adolescente a ter autoestima, com afeto e confiança.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)