Debate trará estratégias para combater fumo

O Globo
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam o tabagismo como a principal causa de morte evitável em todo o mundo, responsável por 4,9 milhões de óbitos por ano, um mal que afeta um terço da população adulta do planeta.

Segundo o Ministério da Saúde, 18,8% dos brasileiros são fumantes — 22,7% dos homens e 16% das mulheres. No próximo dia 18, o assunto será tema de debate na quarta edição do Encontros O GLOBO Saúde e Bem-estar, na Casa do Saber, com mediação da jornalista do GLOBO, Viviane Nogueira e coordenação do cardiologista Cláudio Domênico, membro da Sociedade Europeia de Cardiologia, que também fará parte da mesa de debates e ajudará a esclarecer dúvidas do público.

— Não vamos abordar o tema como vício, mas como doença que precisa de um suporte médico multidisciplinar. O fumo é responsável por boa parte das mortes por problemas cardíacos e ainda se gasta muito dinheiro no sistema de saúde com doenças relacionadas ao tabaco — explica Domênico. Apesar dos problemas, ele acredita que a indústria do cigarro se enfraqueceu com as proibições do governo na propaganda, os alertas nos maços, o aumento de impostos e a restrição do espaço de fumantes em bares, restaurantes e empresas:

— O órgão mais frágil do corpo humano é o bolso. Medidas punitivas como a Lei Seca (no caso do álcool) e o aumento de impostos têm papel importante — diz.

Para esta edição do evento, a psiquiatra Analice Gigliotti, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas e chefe do setor de Dependências Químicas e Comportamentais da Santa Casa do Rio de Janeiro, vai falar sobre as causas que levam a pessoa a fumar; as dificuldades de vencer o cigarro, que mexe com o sistema de recompensa do cérebro; além de drogas e tratamentos que ajudam no combate à doença.

— Quem foi fumante tem que tomar cuidado para o resto da vida, são necessárias muitas campanhas educativas, porque mudar o comportamento é difícil e só o conhecimento de que fumar faz mal não é suficiente. Se fosse, nenhum médico fumaria — avalia Domênico.

Segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) para 2012, 37% dos casos de câncer previstos para este ano terão relação com o tabagismo. Quando avaliados por região, os percentuais da doença causada pelo tabaco, comparados com todos os casos novos para esse ano são: 45% em mulheres e 34% em homens do Norte; 38% em mulheres e 33% em homens do Nordeste; 40% em mulheres e 35% em homens do Centro-Oeste; 33% em mulheres e 38% em homens do Sudeste e 35% nas mulheres e 43% nos homens do Sul. Se for considerada a expectativa de vida de 80 anos, os homens do Sul do país podem perder até dez anos de vida devido aos tumores relacionados ao fumo.

O pneumologista Alexandre Pinto Cardoso, diretor do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, vai falar sobre o assunto abordando as doenças relacionadas ao tabagismo, como bronquite, asma e câncer de pulmão. E a psicóloga Daniela Faertes, especialista em mudança de comportamentos prejudiciais e supervisora do serviço de tabagismo e amor patológico da Santa Casa de Misericórdia do Rio, que lida com os pacientes e suas famílias, vai contar sobre essa experiência.

— Montamos um time que contempla áreas diferentes para discutir as causas e consequências do cigarro, assim como as formas de ajudar o fumante. O debate é complexo e exige vários níveis de atuação — diz Domênico.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)