Levantamento da PF: apreensões de cocaína crescem 52,6%

O Globo
Nos últimos cinco anos, Polícia Federal interceptou 103 toneladas da droga
Juliana Dal Piva – Roberto Maltchik

RIO – O crescente mercado consumidor de crack no país e o fortalecimento da repressão elevaram em 52,6% as apreensões de cocaína e seus derivados nos últimos cinco anos, em comparação com o volume apreendido entre 2003 e 2007. O levantamento, produzido pela Polícia Federal a pedido da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), ainda mostra queda nas apreensões de maconha no mesmo período, que passaram de 821 toneladas para 672,6 toneladas.

Ao todo foram apreendidas 103 toneladas de cocaína (droga pura, pasta base e crack) entre 2008 e 2012. Nos cinco anos anteriores, o número foi de 68 toneladas.

— O aumento se deve tanto pelo incremento das ações de inteligência no combate ao tráfico de drogas pela Polícia Federal, quanto pelo aumento da oferta de drogas no mercado brasileiro, ocasionada inclusive pelo crescimento econômico do país, explicou o delegado Cassius Valentin Baldelli, chefe da Divisão de Repressão a Entorpecentes da PF.

Estado mais populoso do Brasil, São Paulo lidera a quantidade de cocaína apreendida: foram 21,7 toneladas. O levantamento ainda ressalta a participação da região Centro-Oeste, porta de entrada da droga que chega por Paraguai, Peru e Bolívia, que lideram a produção mundial de entorpecentes. Mesmo sendo grande centro consumidor de drogas, o Rio teve apreensões menores: foram 8,1 toneladas de maconha e 1,8 tonelada de cocaína.

As informações foram levantadas pela CNM na tentativa de traçar uma estratégia de combate ao consumo de crack nas cidades brasileiras, por meio do Observatório do Crack.

— O crack está onerando e desestabilizando áreas dos municípios. Você tem que atender, tratar, internar e não há pessoas especializadas, nem locais suficientes. Nesse sentido, queremos informar para construir uma tentativa de enfrentamento. Enquanto não tiver estratégia para o crack, vamos perder sempre, afirmou o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
Para o delegado da PF, os municípios têm papel estratégico no combate ao tráfico.

— Os conselhos municipais constituídos para tratar da questão da violência, tráfico e uso de drogas podem contribuir muito para o planejamento das ações estatais preventivas e repressivas, observou o delegado Cassius Baldelli.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas