Consumo de crack em Bauru, SP, dobra em apenas um ano

G1
Pela manhã, na linha do trem, o movimento de usuários já é intenso. Um dos maiores desafios do país é reprimir o tráfico e proteger os jovens.

Em um ano, o consumo de crack em Bauru, SP, dobrou. A droga, que vem ganhando espaço no interior de São Paulo, faz aumentar também o número de vidas devastadas que trocam o dia pela noite. Um dos maiores desafios do país é reprimir o tráfico e proteger milhares de jovens do vício.

Logo pela manhã, nas redondezas da linha do trem, o movimento de usuários já é intenso. Dezenas de pessoas passaram à noite em claro e perderam a noção das horas. Quem mora na principal cidade do Centro-Oeste Paulista vê perplexo à popularização do crack. Sem alarde, a pedra foi ganhando a preferência de usuários de outras drogas.

“O crack é uma droga fria, depressiva. Para quem não sabe, ela é progressiva, incurável e fatal. A abstinência é muito grande. A pessoa quer mais, mais, mais. E ela faz qualquer coisa: se doa o corpo, mata um ao outro por causa do crack. Ele rouba. Tudo por causa do crack”, disse um ex-morador de rua.

No Brasil, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde alerta para uma epidemia. Uma pesquisa feita pela Confederação Nacional de Municípios em 3.950 cidades mostrou que 98% delas existem registros envolvendo dependentes do crack e 48% desenvolvem algum tipo de programa de combate à droga. “Você também não pode criticar, condenar ele por isso. Não é um bandido, vagabundo, mas sim um doente. E como todo doente precisa ser tratado e entendido”, informou a assistente social, Marilda Picoletto.

Os usuários de crack escolheram o centro da cidade para sobreviver de esmolas, mas nem sempre o dinheiro é suficiente. Por isso, segundo a polícia, eles acabam optando pelo crime. Roubam para sustentar o vício e para fugir eles pulam o muro e buscam abrigo embaixo do viaduto. O outro lado da linha do trem revela a devastação causada pela droga.

Eles vasculham bolsas e carteiras em busca de dinheiro ou qualquer outro objeto que possa ser trocado pela droga. O que não tiver valor, o que não interessar, é descartado e acaba virando lixo. Muita gente não volta atrás e permanece nessa vida de miséria. A situação já fugiu do controle das autoridades que tentam, pelo menos, conter a criminalidade. “A Polícia Militar, é lógico, tem o objetivo dela, que é conhecer essas pessoas. Principalmente aquelas que além de serem usuários estão no mundo do crime. De tal sorte que quando acontece um delito nós saibamos quem são os autores. Isso facilita o trabalho de prisão”, informou o capitão Jorge Luiz Dias.

Depois de experimentar a droga, os usuários de crack abrem mão da família, dos amigos e do conforto. Mas eles ainda buscam privacidade, o que a vida embaixo do viaduto não garante. Os tubos que serão usados em obras de interceptação na rede de água e esgoto se tornaram um grande problema, uma moradia inadequada. Eles comem, dormem e até têm relações sexuais no local. Gente que quando não está sob o efeito da droga, tem esperança.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)