Caminhoneiros colocam vidas em risco com o uso de drogas

Terra
Substâncias como anfetaminas, cocaína e maconha se proliferam nas estradas.

A desculpa mais comum é a de que os preços baixos dos fretes pressionam os motoristas a passar mais tempo dirigindo. Outra justificativa frequente é a pressão das transportadoras e dos embarcadores por melhor prazo. Ainda assim, o uso de rebites e outras drogas expõe ao risco quem divide as estradas com estes motoristas, que muitas vezes ignoram o risco de perder a própria vida.

A pressão externa de fato existe. Embarcadores e transportadoras costumam oferecer fretes com prazos impraticáveis, mas bem bonificados se cumpridos. Muitas vezes, a prestação do caminhão ou o sustento da família obriga os motoristas a aceitarem o desafio. A partir daí, o carreto deixa de ser transporte de cargas e passa a ser uma corrida de velocidade, combinada com drogas estimulantes para evitar o sono, a fome e as paradas para descanso.

Enquanto não aparecem as mudanças promovidas pela lei 12.619, que exige horário limitado para a condução profissional de caminhões, drogas como cocaína e maconha circulam facilmente às margens das rodovias nacionais. “Tudo gira em torno do lucro do embarcador. Muitas vezes, para transportar uma carga de hortifrúti, por exemplo, eles querem economizar e não contratam um caminhão frigorífico. Oferecem o frete com um prazo mínimo e o caminhoneiro que precisa, aceita. Se ele não quiser, outro fará”, conta Claudinei Pelegrini, presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam).

Inibidores de apetite
Os rebites, também conhecidos como inibidores de apetite, são diversas substâncias combinadas, de fabricação clandestina ou da própria indústria farmacêutica. Segundo Dirceu Rodrigues Alves Júnior, chefe do departamento de medicina ocupacional da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego, essas drogas estimulam a melhora da atenção, a agilidade no trabalho e a vigília, até certo ponto. O perigoso é que, em outra fase, são depressoras. “Isso faz eles usarem mais de um comprimido com o objetivo de manter essa curva em alta, com um efeito maior. Mas as anfetaminas e os rebites possuem uma queda vertiginosa, que leva o individuo ao apagão. Essa fase depressiva chega de súbito, o que é motivo de acidentes Brasil afora”, explica Alves Júnior.

A Polícia Rodoviária Federal promove a cada ano o Comando de Saúde, organizado em todas as capitais do País, para orientar os trabalhadores de transporte sobre riscos e prejuízos causados pelo consumo de substâncias químicas como álcool, rebites e outros tipos de droga. Uma medida pequena diante do tamanho do problema. A limitação de carga horária, de acordo com a lei 12.619, traz uma perspectiva de melhora, com intervalos obrigatórios para os motoristas, afirma Alves Júnior. “Para resolver a fadiga e o sono, a única solução é dormir. Não há cafeína nem nenhum energético que resolva essa necessidade fisiológica do organismo”, resume.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)