Medicamentos podem ajudar fumantes a vencer a dependência

UOL
O Brasil está entre os países com os maiores índices de ex-fumantes, segundo estudo internacional divulgado, este mês, pela revista médica The Lancet.

O uso de medicamentos como adesivos de nicotina ou inibidores do desejo de fumar podem ser uma boa saída para fumantes que querem se livrar do vício e não tiveram sucesso ao tentar por conta própria. Segundo a chefe do setor de dependência química da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, Analice Gigliotti, os remédios dobram a chance de uma pessoa parar de fumar.

“E quando a pessoa decide ter um acompanhamento médico na ingestão do medicamento, essas chance multiplicam por quatro. Os medicamentos são eficientes”, diz Gigliotti.

As terapias de reposição de nicotina podem melhorar e muito a qualidade de vida de uma pessoa que quer se tornar um ex-fumante e, aos poucos, faz com que o paciente deixe totalmente o cigarro.

A chance de uma pessoa que decide parar de fumar por conta própria ficar um ano sem fumar é de 3%. Já com apoio médico, esta porcentagem pode chegar a 40%.

A chefe do setor de dependência química da Santa Casa destaca que o uso de medicação como adesivos e pastilhas de nicotina, vareniclina (Champix) e bupropiona (Zyban) são eficazes, pois diminuem o desejo de fumar os efeitos colaterais da abstinência. O tratamento pode durar, em média, 12 semanas, ou o equivalente a três meses, explica a médica.

Dia de combate ao fumo

Nesta quarta-feira (29), comemora-se o Dia Nacional de Combate ao Fumo e diversas ações são promovidas em todo país para esclarecer os malefícios causados pelo cigarro.

O tabagismo é considerado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) a principal causa de morte evitável em todo o mundo.

Segundo a chefe do setor na Santa Casa da Misericórdia, o cigarro contém 4.722 substâncias químicas que fazem mal e pode causar 50 doenças diretamente relacionadas ao tabagismo, como diferentes tipos de câncer, doenças cardiovasculares ou respiratórias.

“O cigarro tem o monóxido de carbono, que aumenta o risco de infarto, derrame cerebral, gangrena e reduz a oxigenação. Tem o alcatrão, que pode gerar câncer no pulmão, na traqueia, no esôfago, na bexiga e no útero. Além de o cigarro ainda gerar risco de enfizema, bronquite crônica, sinusite, aumento de infecção respiratória, pneumonia, envelhecimento precoce e, para as grávidas, pode até ocasionar aborto espontâneo”, alerta a médica.

Segundo adverte Gigliotti, não há níveis seguros de consumo dessas substâncias. “Apenas um trago de cigarro já faz mal. Fumar diminui a oxigenação dos vasos e faz a contração das artérias. Eu vejo a diferença até mesmo no rosto de uma pessoa que fuma e da que deixa de fumar”, comentou.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)