Narguilé aumenta o risco de câncer; 1h equivale a consumir 100 cigarros

Bom Dia Brasil
Quase 300 mil brasileiros estão fumando o narguilé. Um detalhe importante: os maiores consumidores têm entre 13 e 24 anos de idade.

Um tipo de cachimbo cada vez mais usado no país preocupa especialistas. É o narguilé. Uva, maça, melancia, sabores à escolha. A fumaça perfumada estimula ainda mais o prazer de fumar o narguilé. Esta espécie de cachimbo muito apreciada pelos povos orientais, mas, que nos últimos cinco anos anda invadindo muitas casas noturnas no Brasil.

“Tem um sabor diferente, um gosto bom. E na verdade é só para você curtir um pouco o lugar e curtir um pouco da cultura deles”, conta Lucas Azevedo Zaluar Matos, de 22 anos.

É um hábito milenar muito comum entre os homens mais velhos de países como o Líbano, terra do dono deste restaurante no Rio. E a preparação do ritual exige cuidados.

“A gente monta em um negócio de barro. Depois tem que ser bem soltinho, depois vem um papel alumínio. Bota por cima bem vedada. Esse papel alumínio, quando a gente acender o carvão, pra não queimar rápido”, explica Habib Amir el Hawa.

Fumaça, calor e principalmente o tabaco. Mistura perigosa. No século XVII, os males à saúde provocados pelo tabaco já preocupavam os sábios. Foi quando um médico indiano inventou o narguilé. Na época acreditava-se que desta forma fumar seria inofensivo. Antigo engano. Hoje a ciência sabe que uma hora de narguilé equivale a consumir 100 cigarros. É aumentar e muito o risco de vir a ter um câncer.

“Câncer de bexiga, o câncer de esôfago, o câncer de garganta, alguns cânceres de laringe – que tão também na garganta. Então existe hoje um conjunto enorme de cânceres que estão associados ao tabagismo. O potencial danoso do narguilé é muito maior do que o cigarro quando tratado individualmente”, explica o diretor-geral do Inca, Luiz Antonio Santini.

E o alerta tem uma razão: uma pesquisa coordenada pelos epidemiologistas do inca André Szklo e Liz Maria de Almeida concluiu que quase 300 mil brasileiros estão fumando o narguilé. Um detalhe importante: os maiores consumidores têm entre 13 e 24 anos de idade.

“Não, eu não tenho medo de me viciar. Tenho cabeça suficiente para dizer que se eu tiver me viciando eu vou querer parar. Não é igual a cigarro”, diz Fernando Galdino Dobbin, de 20 anos.

“Então esse é um alerta para os pais, porque isso é uma coisa muito bonita, o pessoal coloca nas festas, nos bares, e as pessoas vão usando sem ter a noção do perigo real que está envolvido no uso do tabaco dessa forma”, explica Liz Maria de Almeida, coordenadora da pesquisa.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)