Brasil consome 20% do crack produzido no mundo

Diário de São Paulo
País também está entre os maiores consumidores de cocaína do planeta; seis mi já provaram as duas drogas.

O Brasil é o maior mercado de crack do planeta. 20% de todas as pedras da droga no mundo são consumidas no País. Quando o assunto é cocaína, também estamos nesse pódio, mas no segundo lugar.

Essas são algumas das constatações de um estudo divulgado nesta quarta-feira (5) pelo Inpad (Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Drogas) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Foram entrevistados 4,6 mil pessoas, com idades a partir dos 14 anos, em 149 municípios de todo o Brasil.

NÚMEROS: Seis milhões de brasileiros já utilizaram alguma das duas drogas. Só no último ano, foram cerca de 2,8 milhões de pessoas. Esta marca coloca o Brasil atrás apenas dos Estados Unidos, com 4,1 milhões de usuários no mesmo período. No restante da América do Sul, o número de usuários frequentes foi de 2,4 milhões.

Do total de usuários no Brasil, 78% fizeram o uso somente da cocaína aspirada, 5% utilizaram somente a cocaína fumada (crack e oxi) e 17% utilizaram as duas drogas.

Ainda segundo os entrevistados, 45% afirmaram ter experimentado cocaína antes dos 18 anos, e 78% destacaram ser fácil conseguir a droga. Em relação aos tratamentos contra a dependência, apenas 10% já procuraram auxílio.

AVALIAÇÃO: Para a professora afiliada da Unifesp e vice-presidente da Abead (Associação Brasileira dos Estudos de Álcool e outras Drogas), Ilana Pinsky – que também foi uma das organizadoras do estudo -, uma explicação para esses resultados é a combinação do aumento do poder aquisitivo da população nos últimos anos, com a falta de medidas efetivas de combate ao consumo de drogas.“É um problema de difícil solução. Existem falhas em inteligência, além de uma estrutura de tratamento insuficiente. Faltam ainda medidas efetivas de combate ao tráfico e uma interação maior com os países vizinhos para o combate às drogas”, opina.

Para a professora, o ideal seria fazer uma análise dos modelos de combate ao consumo no mundo, para então desenvolver uma fórmula local contra as drogas. “Não dá para pegar as políticas de um país como a Noruega ou a Suécia e tentar aplicar por aqui. São realidades muito distintas”.

REGIÃO: Em São Bernardo, desde 2009 está em implantação uma rede de atendimento de portas abertas para usuários de drogas, além da inclusão do atendimento psicológico e psiquiátrico nas UBS’s.

Já Diadema conta com o CAPS-AD (Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas), no Centro da cidade, que é específico para atender aos dependentes químicos.

Em São Caetano, além de unidades de saúde voltadas para atendimento de adolescentes e adultos, a cidade conta com parcerias com o Estado, para casos em que seja necessária a internação do usuário.

A rede de NAPS (Núcleos de Atendimento Psicossocial) e CAPS são utilizadas em Santo André para o atendimento aos usuários de drogas. No NAPS-AD, além de tratamento médico e de desintoxicação, são realizadas oficinas terapêuticas (culinária, musicoterapia, grupo de gênero, Lian Gong, pintura dentre outros).
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)