Quem usa adesivo ou remédio tem mais chance de parar de fumar, diz estudo

Jornal Floripa
A taxa de sucesso dos que usam adesivo ou remédios para parar de fumar é muito maior do que a dos que tentam se livrar do cigarro sozinhos, afirma uma nova pesquisa publicada na revista especializada “Addiction”.

Estudos anteriores mostravam dados conflitantes sobre a eficácia desse tipo de auxílio. Os “patches” e os remédios pareciam funcionar só em testes clínicos –na “vida real”, o sucesso deles era muito baixo.

Mas o novo trabalho descobriu que alguns tratamentos aumentam em até seis vezes a taxa de sucesso da cessação do fumo.
“Fumantes no Reino Unido, Canadá, na Austrália e nos Estados Unidos têm mais chance de parar quando usam remédios ou adesivos”, escreveu Karin Kasza, especialista em estatística do Instituto de Câncer Roswell Park, em Nova York, e líder do estudo.

Kasza e sua equipe entrevistaram mais de 7.400 fumantes nesses países a respeito de suas tentativas de parar de fumar.

Os participantes foram acompanhados para ver quantos conseguiam ficar sem cigarro por ao menos seis meses. Cerca de 2.200 deles usaram remédios receitados por médicos ou adesivos de nicotina. Os demais não usaram nada, só força de vontade.

Entre os que não usaram nada para parar, 5% conseguiram ficar sem cigarro por seis meses.

No grupo de usuários de adesivos de nicotina, 18% pararam por ao menos seis meses; entre os que tomaram o antidepressivo bupropiona, 15% pararam e, entre os usuários de vareniclina (Champix), 19% pararam por seis meses.

Depois de levar em conta fatores que influenciam a taxa de sucesso da cessação, como por quantos anos a pessoa havia fumado e quantos cigarros ela fumava por dia, os pesquisadores determinaram que a bupropiona e o adesivo aumentam em quatro vezes a taxa de sucesso dos que param de fumar em relação aos que não usam nada.

A vareniclina aumenta em seis vezes a chance de parar de fumar.

Entre os usuários de chiclete de nicotina, 8% ficaram sem fumar por seis meses ao menos.

Segundo o estudo, em geral, os fumantes que tentam largar o vício sem ajuda são mais jovens, têm menor renda, são menos dependentes da nicotina e têm maior confiança em sua habilidade de parar de fumar do que os fumantes que usam medicamentos.

A pesquisa, no entanto, não prova que os remédios e a reposição de nicotina são os responsáveis pela maior taxa de cessação do fumo, mas que quem usa esses auxílios tem mais chance de parar.

“A triste realidade é que, mesmo quando as pessoas usam esses medicamentos para parar, a recaída ainda acontece na maioria dos casos. É melhor do que nada, mas não é uma bala de prata”, diz a pesquisadora.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)