Um mal a ser combatido

Diário da Manhã
O uso indiscriminado da droga preocupa cada vez mais a sociedade.

Um dos grandes problemas a serem enfrentados pela sociedade atual, que está espalhado por todos os municípios do país, independente da localização, da cor, da classe social que esteja inserido é o vício ao uso do Crack. É fato, não tem como fugir, ele não está mais só nas ruas, com isso o leitor pode se surpreender o encontrando dentro de casa.

O surgimento e o aumento rápido do consumo de crack desde a década de noventa incrementam a gravidade dos problemas amplificando e agravando condições de vulnerabilidade especialmente para as parcelas da população carente. No Brasil, o consumo cresceu, principalmente entre crianças, adolescentes e adultos que vivem na rua, isso faz com que aconteçam pressões diversas sobre ações que dêem aos usuários de crack oportunidades de viverem de forma digna e saudável. Em Passo Fundo existe a cerca de 6 anos o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS) que foi criado para poder dar um maior suporte as famílias e aos dependentes sejam de drogas lícitas ou ilícitas. Segundo a enfermeira do CAPS Caroline Goch Saldanha, no inicio dos atendimentos o uso de drogas mais freqüentes eram a cocaína e a maconha, hoje o crack avançou de tal forma, que é a grande preferência da maioria dos usuários. “O CAPS é um serviço municipal que atende somente o município de Passo Fundo, prestando atendimento aos usuários de drogas sejam licitas ou ilícitas inclusive o uso abusivo de medicação” explica Caroline. Segundo a enfermeira o serviço é realizado pelo SUS e toda a população pode receber atendimento, não precisando de encaminhamento médico. “A gente trabalha na reabilitação, oferemos atendimento na psicologia além de acompanhamento psicológico, médico, arte terapia, enfermagem, pedagógico e também oficinas acompanhamento com assistentes sociais” afirma a enfermeira Caroline.

Quando o dependente chega ao Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas são feitas análises para ver que tipo de tratamento será melhor seguir. Segundo a enfermeira do CAPS quando é necessária a internação existem 25 vagas em comunidades terapêuticas que tem parceria com o Centro além das vagas que são feitas através de solicitação a 6º Coordenadora Regional de Saúde. “O problema da droga envolve toda questão familiar, de educação, de relacionamento com a família então são múltiplos fatores que fazem com que a pessoa busque a droga”, afirma Saldanha.

O crack é uma forma muito barata de levar as moléculas de cocaína ao cérebro em um segundo provocando efeito muito intenso. Por isso ela tornou-se um problema de saúde publica, pois o consumo assim como o trafico estão relacionados nos diferentes tipos de violência, como assaltos, furtos, homicídios além tornar a vida da família e de todas as pessoas que estão próximas aos usuários bastante difíceis.

ERECHIM

Cresce o número de delitos com ligação ao uso do crack
A porta de entrada do vício em drogas de uma pessoa é o uso de álcool. Em Erechim 99% dos usuários tiveram essa experiência. Atualmente 70% das pessoas atendidas no CAPS AD – Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas são viciadas em algum tipo de bebida alcoólica, em segundo lugar estão os consumidores de crack seguidos por cocaína. O uso de maconha, de acordo com a coordenadora do Caps AD, Sônia Ferreira, é raro. “O usuário é um sintoma. O grande problema está instalado na família”, revela. Ainda conforme ela, a aderência das famílias em programas assistenciais e no próprio Grupo de Famílias que se reúne todas as quintas à tarde é muito baixo o que dificulta até mesmo a recuperação do paciente.

Em 2012 o número de usuários que buscam ajuda no Caps AD para abandonar o vício diminuiu drasticamente em relação ao ano passado, ao ponto que sobram vagas em instituições de apoio. Ao todo o município disponibiliza 55 vagas em comunidades terapêuticas e 14 no Hospital de Clínicas Marcelinense.

Atualmente 1.734 pacientes estão cadastrados e em pleno tratamento no Centro de Atenção Psicossocial, sendo que são realizados 100 atendimentos todos os dias.

O investimento mensal do município para o tratamento de pacientes com problemas relacionados ao consumo de álcool e drogas está em torno de R$ 70 mil.

CARAZINHO

R$ 291 mil mensais destinados para os tratamentos de dependência

Em Carazinho a verba utilizada para a área de dependência química provém dos recursos livres da Secretaria. Segundo dados da Secretaria da Saúde, no ano de 2011, foram gastos, em média, R$ 372 mil somente nas internações compulsórias encaminhadas para clínicas fora do município. Em 2012, a média é de que sejam destinados R$ 291 mil mensais para os tratamentos.

Atualmente o município conta com quatro clínicas conveniadas para o tratamento de dependentes químicos, o Centro de Tratamento e Apoio a Dependentes Químicos (CETRAT), de Carazinho, e clínicas para internações compulsórias nos municípios de Alto Bela Vista – SC, Erechim e Passo Fundo. São disponibilizados 10 leitos na Ala Psiquiátrica do Hospital Comunitário de Carazinho (HCC) e o Ambulatório de Dependência Química oferece 100 consultas mensais em suas dependências e também o grupo de ajuda mútuo de familiares, que conta com aproximadamente 400 participantes.

Além disso, não são somente as internações que a Secretaria oferece para os dependentes químicos, mas também toda a medicação necessária durante o tratamento, conforme indicação médica; assistência médica e psicológica e aporte para a família do paciente.

Como a maioria dos pacientes precisam ser encaminhados para fora da cidade, pois o CETRAT trabalha mais como uma comunidade terapêutica e pode receber internações compulsórias, a Secretaria ainda precisa disponibilizar o transporte para os familiares nos dias de visita, pois é preciso fazer com que eles estejam presentes e participem do processo de recuperação.

São encaminhados pela Justiça, por mês, em média 15 processos compulsórios, porém o secretário de Saúde, Mauro Mazzutti, comenta que no mês de agosto foram 30 processos recebidos pela Secretaria. “É complicado, porque a taxa de recuperação é muito baixa e a maioria dos pacientes é reincidente, temos umas 200 pessoas que já foram, voltaram e precisaram ir novamente”, observa, dizendo que 90% dos casos são oriundos da dependência de crack.

Atualmente, a Secretaria adotou algumas medidas para liberar esse tipo de internação, a primeira delas é que a família deve participar do processo. “A Justiça nos autorizou a cancelar o tratamento dos pacientes cujos familiares não comparecem nas reuniões de grupo de apoio”, justifica o secretário.

O Município também está em processo de implementação do Centro de Apoio Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) que vai oferecer apoio e tratamento ambulatorial durante o dia aos dependentes químicos, bem como acompanhamento aos familiares. A Secretaria de Saúde também promove campanhas de prevenção ao uso de drogas em escolas, realizando palestras sempre que solicitado pelas instituições e estão preparando também um grupo de prevenção à recaída.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)