Diminuir consumo de álcool já reduz risco de câncer de esôfago

Terra
Uma pesquisa da Universidade de Boston avaliou também que álcool aliado ao tabaco aumenta ainda mais as chances de apresentar câncer de esôfago.

O câncer de esôfago tem se tornado cada vez mais comum na Europa e na América do Norte. No Reino Unido, por exemplo, foram registrados 7.800 novos casos por ano. Com as causas exatas da doença ainda não totalmente entendidas, médicos sugerem que pessoas que sofrem por muito tempo de refluxo ácido têm mais chances de desenvolver o problema e, entre outras possíveis causas, estão:

Gênero: o câncer de esôfago é mais comum em homens do que em mulheres

Idade: a chance de ter a doença aumenta com o avanço da idade e é mais comum em pessoas acima de 45 anos

Fumantes: quanto mais uma pessoa fuma e quanto maior a quantidade de tabaco, maiores os riscos

Consumo de álcool: beber muito por períodos longos aumentam as chances de ter a doença, especialmente se combinado com fumo

Dieta: ter uma dieta pobre em frutas e vegetais também pode causar problemas

Obesidade: excesso de peso pode aumentar o risco, já que o refluxo é mais comum em pessoas obesas

Este estudo, desenvolvido por um Fórum do Centro Médico da Universidade de Boston, nos Estados Unidos, analisou 17 outras pesquisas e aproveitou as informações de nove delas. Os autores concluíram que a relação do álcool com o aumento dos riscos de câncer de esôfago pode ser reversível e a pessoa leva até 16 anos para apresentar o mesmo quadro saudável de pessoas que não bebem. Os pesquisadores acreditam ainda que a primeira metade da redução deste risco total pode ocorrer em um intervalo de tempo menor, talvez de quatro ou cinco anos.

Apesar dos resultados, os autores destacaram que há limitações nas pesquisas, já que é difícil também relacionar entre os entrevistados aqueles que eram fumantes, pois riscos ainda maiores de câncer de esôfago se relacionam com consumidores de álcool aliado ao tabaco.

Outra lacuna também foi observada pelos médicos, já que pelos estudos analisados, é difícil entender quais pessoas nunca consumiram álcool e quais pararam de beber. Eles observaram também que há diferenças geográficas para a relação entre álcool e câncer de esôfago, já que a Ásia mostrou ter um número maior de pacientes que sofrem mais devido à combinação do que a Europa e América do Norte, por exemplo.

No entanto, mesmo considerando estes aspectos, entender que parar de beber reduz os riscos de câncer de esôfago é muito importante. Outros estudos sugerem ainda que reduzir aos poucos o consumo de bebida alcoólica, ao invés de cortar completamente o produto, pode estar associado à diminuição ainda maior dos riscos de câncer no esôfago. Além disso, eles registraram ainda que ingerir baixos níveis de álcool demostra ter alguns benefícios para a saúde, como ajudar a evitar doenças vasculares e diabetes, por exemplo.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)