Drogas começam a destruir a inocência

A Tribuna Mato Grosso
Uma triste realidade. O perfil do usuário de drogas em Rondonópolis mudou, alcançando além dos adolescentes, crianças a partir de oito anos de idade.

É a inocência que vem sendo destruída na cidade. Uma das portas de entrada dos jovens mais cedo no mundo das drogas tem sido as escolas. A informação é do Conselho Municipal Antidrogas de Rondonópolis (Comad). “Os usuários já não são somente adolescentes, mas crianças a partir dos oito anos de idade. Porém, o número maior de usuários ainda é na faixa etária entre 16 a 18 anos”, diz a presidente do Comad, Cleuza Alves Diniz.

Ela explica que os usuários ou traficantes com idade superior a 25 anos, já estão sendo ‘descartados’ pelos líderes do tráfico. “Esta faixa de idade já se tornou um problema para os que comandam o tráfico, pois de vendedores de droga já se transformaram em usuários e agora são doentes e descartados pelo crime. Os líderes do tráfico estão perdendo os vendedores/usuários e, com isso, aliciando crianças e adolescentes para continuar a movimentar a venda e o uso da droga. Consequentemente, estas crianças e adolescentes estão sendo as vítimas”, externa a presidente do Comad.

Conforme a conselheira, a percepção da mudança de perfil dos usuários de drogas surgiu diante da procura das famílias por ajuda dos Conselhos Tutelar e Antidrogas. “As vítimas são meninos e meninas. É muito preocupante a situação, pois os usuários desta década são mais violentos. Imagino que a droga prejudica o sistema nervoso. A reclamação dos pais, em casa, e professores, na escola, é que os alunos com suspeita de uso de drogas apresentam comportamento violento”, externa Cleuza Diniz.

Falta de Prevenção

Para a presidente do Comad, as drogas estão mais presentes na vida de crianças e adolescentes devido a falta de projetos de prevenção. “A prevenção deveria ser trabalhada mais. Há um ano se preocupavam mais com o tratamento e esqueceram da prevenção”, explica.

Participação de representantes de escola foi tímida

A participação dos representantes de escolas públicas e particulares no 1º Seminário da Construção das Políticas Públicas sobre Drogas de Rondonópolis, ocorrida no final do mês passado, foi tímida. “Este evento foi exatamente para entender as políticas públicas sobre drogas de Rondonópolis. Porém, o que nos deixou tristes foi a participação tímida dos representantes das escolas onde as drogas estão sendo disseminadas”, lamenda Cleuza Diniz, presidente do Comad.

Ela considera que as escolas devem participar mais das atividade que englobam a prevenção às drogas. “A criança ou adolescente começa vendendo, passa a consumir e fica dependente das drogas e da venda de entorpecentes para sustentar o vício. Grupos de crianças ou adolescentes traficantes se formam rapidamente em uma rede dentro da escola”, alerta.

Conforme Cleuza Diniz, existem dez adolescentes com idades entre 9 e 16 anos internados por determinação da Justiça, em comunidades terapêuticas, devido ao problema das drogas que começou em escolas. “Recentemente, quatro adolescentes foram vítimas de overdoses na cidade. Eles estão recolhidos em clínicas terapêuticas devido a gravidade. Por mês, são dez novos casos de crianças e adolescentes com problemas relacionados à drogas que são apresentados aos conselhos. O mal das drogas começa dentro de casa e na escola. Então, as famílias entram em desespero e procuram ajuda aos conselhos e a Justiça”, revelou.

Evento vai focar prevenção às drogas em Rondonópolis

Para o próximo mês de novembro, está programado o I Seminário da Prevenção à Drogadição, organizado pelo Conselho Municipal Antidrogas de Rondonópolis (Comad). “Pretendemos, com esse seminário, preparar os representantes da educação e as famílias para agirem na prevenção dos alunos às drogas, pois escola e família são responsáveis em combater esta mazela”, disse Cleuza Diniz, presidente do Conselho.

Ela explica que atitudes simples podem identificar comportamentos diferentes de estudantes envolvidos com as drogas. “O pai e a mãe devem se ater ao tempo que o aluno gasta para chegar em casa. Observar a distância de casa a escola. Se ele demora, cabe ao pai ou mãe fazer investigação, como por exemplo, olhar a mochila, tentar sentir odores no filho. No caso da maconha, é mais fácil identificar, pois é um entorpecente de mau cheiro. Mas, há pais que não possuem este conhecimento”, externa Cleuza Diniz.
Ela explica que, na programação do seminário, os pais também vão aprender a conhecer os tipos e o cheiro dos entorpecentes.

Drogas e álcool estão presentes entre os índios

O problema das drogas e do álcool já está presente entre os indígenas. Segundo a presidente do Conselho Municipal Antidrogas, Cleuza Diniz, o cacique da Aldeia Tadarimana, Cícero Kudoropa, tem se mostrado preocupado com a situação. “Ele [cacique] me disse que são muitos indígenas jovens com problemas com drogas e álcool. Ainda revelou que tem um projeto para enfrentar esta mazela”, disse Cleuza.

Segundo Cleuza Diniz, os índios também tem contato escolar. “Infelizmente, as escolas estão sendo a porta principal do primeiro contato com as drogas. Depois que os filhos entram no mundo das drogas, pouco pode se fazer, pois eles se tornam pessoas doentes com poucas chances de recuperação”, lamenta.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)