Combate às drogas é próximo desafio em favelas retomadas no RJ

Jornal Nacional
Na região funcionava a maior cracolândia da cidade. Quase 200 foram levados por assistentes sociais, mas não demorou para que antigos locais usados pelos dependentes voltassem a ser ocupados.

A retomada de quatro favelas na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesse domingo (14), pelas forças de segurança, deu esperança a milhares de moradores, mas há muitos desafios. Na região funcionava a maior cracolândia da cidade.

De casa em casa, policiais avançam na busca por suspeitos, armas e drogas. Mas o que mais chamou a atenção, nesta segunda-feira (15), foi uma área de lazer no meio de uma rua. A piscina e a churrasqueira fotografadas pelo G1, segundo investigadores, só podiam ser usadas pelos traficantes.

Enquanto eles se divertiam, nos arredores das favelas crescia um dos piores retratos da condição humana. As comunidades do Jacarezinho e de Manguinhos eram conhecidas por abrigar a maior cracolândia do Rio de Janeiro.

Ainda durante a ocupação, os usuários da droga começaram a ser recolhidos para abrigos da prefeitura, mas muitos preferiram fugir.

Quase 200 pessoas foram levadas por assistentes sociais até agora, mas nesta segunda-feira (15) de manhã a equipe do Jornal Nacional flagrou um grupo deixando uma das unidades.

Não demorou para que antigos locais usados pelos dependentes voltassem a ser ocupados. Os usuários estavam debaixo de um viaduto da Avenida Brasil, tentando se esconder atrás de tapumes de obras.

Em uma praça, que não fica muito longe da Favela de Manguinhos, a polícia chegou para desmontar um acampamento usado por várias pessoas que fumavam crack, pelo menos 60. Mas a ação da polícia não intimidou os usuários da droga. Havia um grupo próximo ao local fumando de novo.

Enquanto os policiais recolhiam roupas velhas e pedaços de mobília, homens, mulheres e até adolescentes preparavam e fumavam o crack no meio da rua.

Um rapaz fumava e repassava para outros usuários. Foi só os policiais saírem para eles voltarem para a praça.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)