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Mendigo de Curitiba: Vício em crack traz prejuízos à sociabilidade

R7
Especialista explica como uso prolongado faz dependente abandonar atividades cotidianas e pessoas em função da droga.

A situação que fez o ex-modelo Rafael Nunes se tornar morador de rua em Curitiba por causa do vício em crack tem relação direta com os efeitos acarretados pelo uso prolongado da droga. Nos últimos dias, Nunes se tornou conhecido na internet por ter uma foto como mendigo na capital paranaense postada no Facebook, suscitando uma série de comentários e comoções.

Segundo compartilhou a irmã Rubiana Nunes no Facebook, a condição quase miserável na qual se encontra o ex-modelo foi causada por sua dependência química. Um quadro típico de vício que traz consigo prejuízos à inteligência e à sociabilidade do usuário, explica ao R7 o psiquiatra Fernando Tomita, do Hospital Santa Edwiges, em Campinas:

— Uma das características da dependência é você abrir mão das outras coisas para usar a droga. Você deixa de fazer outras atividades cotidianas para buscar e usar a substância. Começa a deslocar atividades, como trabalho e família, para se drogar. Usar a droga passa a ser mais importante do que qualquer outra coisa da vida.

O especialista lembra, no entanto, que nem todo mundo que é dependente de crack ou cocaína acaba vivendo nas ruas. Além disso, o portal do programa do governo federal Crack, é Possível Vencer explica que a droga foi inicialmente considerada “de rua”, mas hoje a realidade é outra. Se antes moradores de rua recorriam ao crack, por ser barato e inibir a fome, como medida paliativa, hoje ele se espalhou e atinge todas as camadas sociais.

Programa

Em parceria com Estados e municípios, o governo federal mantém o programa em três eixos: prevenção, cuidado e segurança. No total, estão previstos R$ 4 bilhões em recursos federais até 2014 investidos em ações que visam orientar a população, capacitar profissionais, ampliar atendimento aos usuários, além do combate ao tráfico de drogas.

Em julho, o governo do Estado do Paraná e a prefeitura de Curitiba aderiram ao programa de combate ao crack, com o intuito de aumentar a oferta de tratamento e atenção aos usuários. A previsão é que R$ 102,2 milhões sejam investidos no Estado até 2014. O objetivo é criar em dois anos mais de 828 leitos para atender usuários de drogas, construir 10 CAPSs (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas) 24 horas e 10 novas unidades de acolhimento.

O crack provém da cocaína. Os cristais utilizados em cachimbos são obtidos da mistura do pó com água e bicarbonato. Mais barata que a cocaína, o crack causa maior dependência e seu efeito tem duração de 5 a 10 minutos, enquanto o da droga em pó que é inalada pode chegar a 45 minutos.

— O problema do crack é que ele vai para o cérebro muito mais rápido, tem efeito mais intenso e menos duradouro. Por isso provoca mais dependência, o que aumenta as chances problemas sociais em que as funções cotidianas são deixadas de lado em função do uso.

Pesquisa divulgada no mês passado pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) mostrou que o País tem 2,6 milhões de usuários de crack e cocaína, sendo 1,3 milhão dependente. Deste total, 78% consomem a droga em pó, cheirando-a, 22% cheiram e fumam (em forma de crack ou oxi) e 5% consomem apenas através de cachimbos.

O uso vem se disseminando no Brasil. De todas as prefeituras do País, 98% disseram ter tido contato com o crack. Em relação às principais causas de mortes entre os usuários, 57% são vítimas de homicídio, 26% morrem por Aids, 9% por overdose, 4% por hepatite e 4% por afogamento.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)