Uso de drogas contribui para atitudes violentas, afirma psiquiatra

Correio do Povo
Médico que seria usuário de crack foi preso por torturar namorada e mantê-la em cárcere privado em Porto Alegre.

O caso do médico que torturou a namorada e a manteve em cárcere privado por 17 dias em Porto Alegre reascende a discussão sobre as consequências do uso do crack, já que a família do clínico geral afirmou que ele é usuário da droga. Vários fatores são considerados de risco para atitudes violentas, entre eles predominam o uso de entorpecentes como crack e cocaína, conforme explica o secretário-geral da Associação Brasileira de Psiquiatria, Luiz Carlos Coronel. Ele afirma que a epidemia do crack no Brasil é responsável, direta ou indiretamente, por mais mortes do que quaisquer outras doenças.

Além do problema de saúde dos dependentes químicos, outras mortes são registradas pela relação com o tráfico e a violência consequente do vício. “Os usuários com frequência se envolvem com a criminalidade, pois acabam cometendo furtos e roubos para comprar drogas”, analisa. O psiquiatra ressalta que o consumo de drogas é um caráter liberador, que faz com que as pessoas se transformem, tornando-se agressivas mesmo quando essa não era uma característica anterior. “Em casos de patologias não tratadas, a chance é 10 vezes maior de cometer atos violentos”, destaca.

De acordo com Coronel, o número de processos criminais ligados os uso de drogas, especialmente crack, é muito grande. Ele salienta que a associação com a criminalidade ocorre independente da classe. “É o problema social número um, e também de saúde e segurança”, enfatiza. O psiquiatra acredita que a falta de assistência no País para tratamento de dependentes contribua para o agravamento da epidemia. Ele diz que as famílias ficam sem saber o que fazer quando se deparam com filhos nessa situação. “Vidas são interrompidas”, lembra.

Carência gera relações sadomasoquistas

Ao pegar como exemplo o caso em questão, o psiquiatra comenta as relações atuais, em que o temor da solidão leva casais a aceitarem relações sadomasoquistas. “As pessoas querem alguém que as proteja e não desejam ficar sós. Se acham que não vivem sem o outro, acabam se submetendo a várias coisas”, afirma. Ele atribui esse tipo de comportamento a uma cultura social que vem crescendo nos últimos anos. Conforme Coronel, em qualquer faixa etária, muitas pessoas entram em relacionamentos doentes e vão aguentando as agressões. Em algumas situações, o envolvimento termina quando a “vítima” chega ao limite e coloca um ponto final ou, em casos mais graves, resulta em crimes passionais.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)