Campanha antifumo brasileira vai evitar 7 milhões de mortes até 2050

Isaúde
Consideradas um exemplo para o mundo, as políticas usadas no país são tema de estudo publicado ontem na revista PLoS One.

Alta dos preços dos cigarros, leis antifumo em áreas fechadas, restrições à comercialização e outras medidas aplicadas pelo Brasil no controle do tabaco resultaram numa redução de 50% na prevalência de tabagismo entre 1989 e 2010, com 420 mil vidas salvas.

As conclusões são de estudo realizado por pesquisadores do Georgetown Lombardi Comprehensive Cancer Center (EUA) e do Instituto Nacional de Câncer (INCA) do Brasil.

Somando-se a dramática conclusão do estudo, que utilizou modelos para determinar as projeções, os pesquisadores dizem que as políticas do país latino-americano podem resultar em até 7 milhões de vidas salvas até 2050.

O tabaco mata quase metade de seus usuários (com 5 milhões de mortes de fumantes e 500 mil de não fumantes a cada ano no mundo), diz David Levy, professor de oncologia da Georgetown Lombardi e o responsável pelo estudo. ” O Brasil tem desempenhado um papel pioneiro no controle do tabaco. O país introduziu o imposto sobre o cigarro, em 1990, e em 1996 colocou os primeiros avisos nos maços e ainda criou as leis antifumo. Muitas dessas medidas foram posteriormente reforçados, incluindo restrições mais fortes aos anúncios publicitários e impostos mais altos”.

Para determinar o impacto dessas medidas sobre as mortes, os pesquisadores desenvolveram um modelo de Simulação Política chamado SimSmoke. Usando as políticas aplicadas e dados da população Brasileira, o modelo avalia o efeito de várias iniciativas sobre as mortes prematuras, incluindo impostos sobre o cigarro, leis antifumo, campanhas de mídia de massa, restrições à comercialização, requisitos de embalagem, programas de tratamento de cessação e restrições ao acesso de jovens ao fumo.

O modelo estima que a prevalência do tabagismo no Brasil, de 1989 a 2010, foi reduzido em 46% por causa direta da introdução de medidas de controle do tabaco. Quase metade dessa redução foi explicada pelo aumento dos preços, 14% por leis antifumo, outros 14% por restrições de comercialização. Outros 10% pelos programas de tratamento de cessação do fumo, 8% por advertências sobre riscos à saúde e 6% por campanhas antifumo veiculadas na mídia.

Diferencial brasileiro

Levy desenvolveu modelos semelhantes para 30 diferentes nações. Ele diz que um fator diferencial nas políticas brasileiras de tabaco é o uso de advertências ilustradas nos maços de cigarros.

“Nosso modelo de estudo credita apenas 8% da redução do tabagismo para advertências nos maços, o que está muito subestimado para o caso brasileiro. Acreditamos que esse valor não represente precisamente os impactos das advertências de saúde no Brasil, especialmente para os jovens. O Brasil tem testado extensivamente suas advertências com fumantes jovens e conseguiu um impacto maior na redução do tabagismo do que em outros países.”

Levy também observou que o Brasil recentemente decidiu proibir cigarros mentolados, e que a Food and Drug Administration (FDA) está considerando a adoção de uma política semelhante nos EUA.

Enquanto os estados norte-americanos, particularmente a Califórnia, experimentam o sucesso em reduzir as taxas de tabagismo através da implementação de políticas fortes, nenhum teve o tipo de sucesso visto no Brasil em um período tão curto de tempo. ” As políticas brasileiras de controle do cigarro deveriam ser uma lição para todos nós. Se vamos implementar políticas aqui nos EUA que vão fazer um impacto duradouro, precisaremos de vontade política e apoio dos tribunais,” completa levy.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)