Cigarro e má alimentação causam danos à sua audição

Diário Web
Os ouvidos são uma preciosidade no corpo humano. Portanto, é preciso mantê-los saudáveis. Daí a necessidade de se evitar, por exemplo, o fumo.

Sim, o cigarro é um dos principais males a afetar a audição. Isso porque, graças às mais de cinco mil substâncias químicas existentes no cigarro, as toxinas inaladas podem causar danos definitivos às estruturas sensíveis do ouvido, a começar pelo zumbido, entre outros problemas que vão prejudicar a audição.

Foi o que comprovou um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), segundo o qual pessoas que fumam no mínimo cinco cigarros por dia há mais de um ano têm quatro vezes mais chances de sofrer com zumbido. “O zumbido é um sintoma percebido na cabeça ou nos ouvidos sem a presença de uma fonte sonora externa. A perda de audição e alterações no sistema auditivo são suas principais causas”, ressalta a otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, responsável pelo setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Na pesquisa da Unifesp, o problema foi identificado na maioria dos fumantes, entre 104 analisados, divididos em dois grupos: de fumantes e não-fumantes, de ambos os sexos, entre 20 e 31 anos. Além do zumbido, a especialista explica que as substâncias do cigarro minimizam a capacidade de oxigenação sanguínea e podem causar obstruções vasculares por alterarem a resistência que o sangue oferece ao seu próprio movimento.

“Os ouvidos possuem estruturas muito sensíveis e qualquer mudança na circulação sanguínea pode afetá-las. A redução do oxigênio e de nutrientes no órgão provoca a morte das células auditivas, ocasionando perda de audição progressiva”, esclarece a especialista. Mas nem tudo está perdido, uma vez que basta parar de fumar e a tendência é tudo voltar ao normal. De acordo com Rita, basta que se fique 20 minutos longe do cigarro para se obter benefícios.

O tabaco contribui para a redução da frequência cardíaca e da pressão sanguínea e, em duas horas, já não há mais nicotina no organismo. Em 72 horas sem o produto, a quantidade de monóxido de carbono no corpo é normalizada. “Com o passar do tempo, a função respiratória é recuperada e a oxigenação dos tecidos volta ao normal, contribuindo para a saúde dos ouvidos e de todo o organismo”, enfatiza a médica.

Otite aguda é frequente

Para o otorrinolaringologista Paulo Porto, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em crianças é muito comum, na presença de dor de ouvido, a ocorrência de uma otite média aguda, que afeta em menor grau os pais dessas crianças. O médico explica que a otite é uma inflamação da cavidade da orelha média, caracterizada pelo aparecimento rápido de sinais e sintomas, como otalgia, febre e irritabilidade.

Mas ressalta que o diagnóstico se baseia na soma de achados à otoscopia. Ou seja, é preciso que haja a presença de mais de um sintoma clínico. “A membrana timpânica apresenta-se abaulada e opaca, com mobilidade reduzida ou ausente na otoscopia pneumática”, explica. Segundo Porto, o exame de timpanometria reduz em 20% a 30% a quantidade de diagnósticos equivocados.

Uma vez que a otite média aguda pode ser causada por vírus e bactérias. “Os vírus podem ser identificados em 25% das efusões na orelha média. As bactérias que a causam são iguais em adultos e crianças: Streptococcus pneumoniae (40%), Haemophylus influenzae (25%) e Moraxella catharralis (12%)”, aponta.

O que é otosclerose?

A otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, responsável pelo setor de Otoneurologia da Unidade Funcional de Otorrinolaringologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), observa que a perda de audição também pode indicar a presença de outras doenças no ouvido. E quando associada a zumbido e tontura, pode apontar a presença de uma doença denominada de otosclerose.

A otosclerose é uma doença hereditária que pode prejudicar a condução do som ou atingir as células sensitivas, podendo causar surdez. Afeta principalmente mulheres a partir dos 30 anos. Uma pessoa com um dos pais com histórico da doença tem 25% de chance de desenvolver o problema. Quando o pai e a mãe sofrem com a enfermidade, o risco aumenta para 50%.
“São comuns as queixas de que os sons de baixa frequência não são ouvidos. O diagnóstico é feito com um otorrinolaringologista, a partir da realização de exames como o audiograma e a tomografia”, diz a médica.

Tratamento

Rita observa que o tratamento pode ser feito com medicação, na tentativa de impedir a progressão da doença ou contribuir para que ela evolua de maneira mais lenta. Para melhorar a audição, é indicado o uso de aparelho auditivo. “Em casos específicos, pode ser indicada a realização de cirurgia. O procedimento substitui o estribo comprometido por uma prótese de plástico ou de metal.

A intervenção cirúrgica é delicada e, por isso, é fundamental que tenha a indicação correta e nos casos de doença em ambos os ouvidos, com surdez severa a profunda, está indicado o implante coclear, dispositivo colocado cirurgicamente para estimular diretamente o nervo auditivo, que costuma estar intacto nestes pacientes”, alerta a especialista.

Até alimentação interfere

Para que a audição esteja em equilíbrio, é preciso buscar ajuda para identificar qual é o principal problema a ser sanado, logo no primeiro sinal de que algo não vai bem, antes que evolua para um problema mais grave. Por isso, até mesmo cuidados com a alimentação são um passo importante para a prevenção a doenças do ouvido. “Ter uma alimentação balanceada, com pouca cafeína e sem exageros em glicose e sódio é o primeiro passo para a manutenção do bom funcionamento auditivo”, afirma Rosana Rezende, fonoaudióloga de uma empresa de aparelhos auditivos.

Ela observa que, na hora de reformular o cardápio, a dica é consumir alimentos naturais e integrais, como frutas, legumes e produtos lácteos, além de frutas, vegetais frescos e bebidas, como água e chá de ervas sem cafeína, que previnem o zumbido, as vertigens e as dores de cabeça. O tratamento medicamentoso e a dieta alimentar podem melhorar, no caso do zumbido, em até 50% dos casos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)