Dependentes químicos do Piauí não contam com tratamento especializado

G1
O estado não possui centros especializados de apoio aos usuários. Em Teresina há apenas um Centro de Atenção Psicossocial.

Em todo o país cerca de um milhão de brasileiros são viciados em drogas pesadas, como cocaína e crack. No Piauí, os números são imprecisos, mas as centenas de casos de apreensão de drogas apontam o tamanho do problema. Além disso, o estado não possui centros especializados de apoio aos dependentes químicos.

Na capital Teresina, a prefeitura mantém apenas um Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), que chega a atender quase 200 pacientes por dia. Segundo o psicólogo, Edson Rodrigues, a cidade merecia pelo menos mais cinco ou quatro centros de atendimento.

“Tive em Fortaleza recentemente e lá eles têm seis CAPs. Ainda sim não é o suficiente. A dependência química é uma doença crônica, por isso, precisa de um tratamento continuado. Não existe uma indicação de alta, pois a recaída é sempre uma possibilidade e pode acontecer em meses ou anos”, diz o psicólogo.

Para o psiquiatra Cristóvão Albuquerque, a oferta de atendimento na rede pública do Piauí não acompanhou o crescimento do número de dependentes químicos. “O estado não consegue acompanhar a progressão das drogas e, mesmo após a portaria 3088 que determina que os hospitais façam acolhimento dos usuários de drogas, a estrutura ainda é insuficiente.”

Na tentativa de amenizar o problema, a Coordenação Estadual de Enfretamento às Drogas está construindo dois centros de atendimento especializado no tratamento de dependentes químicos. Denominados de ´Espaços de Convivência e Valorização da Vida`, os centros custarão cerca de R$ 150 mil e devem atender, a partir de janeiro de 2013, 55 pacientes, entre homens e mulheres.

A coordenadora estadual de enfretamento às drogas, Zittar Vilar, reconhece que a atual estrutura não é a ideal. “Estados como São Paulo e Rio de Janeiro estão à frente do Piauí. Mas estamos adotando passos importantes no sentido de atender a demanda advinda da dependência química”, explica.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)