Com drogas em alta, Orlândia carece de clínica para reabilitação de usuário

G1
MP e CAPS trabalham em conjunto para evitar as internações compulsórias. Apreensão de maconha aumentou 345% em dois anos, segundo promotor.

Os usuários de drogas de Orlândia (SP) que necessitam de internação não têm onde fazer o tratamento contra a dependência química. A cidade de 40 mil habitantes registrou aumento nos casos de tráfico de drogas nos últimos anos, mas não tem clínicas ou comunidades terapêuticas adequadas à internação.

O Ministério Público e o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) trabalham em conjunto para encaminhar pacientes dependentes químicos para tratamento ambulatorial e tentam evitar as internações compulsórias. “O número de apreensões de drogas vem aumentando e, consequentemente, esse número significa que o número de usuários também aumentou”, disse o promotor Ramon Lopes Neto.

De acordo com o MP, os casos de tráfico de drogas cresceram de 43 ocorrências em 2010 para 82 ocorrências de janeiro a novembro de 2012. A apreensão de maconha aumentou 345% em dois anos, segundo o promotor. Foram 2,8 quilos da droga apreendidos em 2010 e 12,47 quilos este ano. As apreensões de cocaína e crack também aumentaram. A quantidade de cocaína encontrada pela polícia na cidade saltou de 504 gramas há dois anos contra 7,18 quilos este ano. Já o volume de crack passou de 582 gramas para 2,68 quilos.

Segundo Lopes Neto, o MP tem buscado ajudar os usuários da cidade com algumas medidas. “Em caso de reincidência, em vez de pagar cestas básicas, eles são obrigados a assistir a palestra sobre drogas”, explicou o promotor.

Prefeitura
O secretário de Saúde de Orlândia Sérgio Bruno de Oliveira disse que o problema encontrado na cidade é recorrente em municípios do mesmo porte. “É um problema que não se pode negligenciar. Infelizmente a grande maioria das cidades do porte de Orlândia não tem condições de manter um tratamento adequado em termos de internações para dependentes químicos”, avaliou Oliveira.

Com um problema difícil de ser driblado, o município se adapta à realidade. Psicólogos, psiquiatras e oficinas terapêuticas são disponibilizados no tratamento oferecido pelo CAPS. “A gente faz todo o estudo social e colhe todo o histórico da dependência química. Vemos qual é a droga preferida do usuário, o nível de consumo, para assim podermos dar continuidade ao tratamento”, explicou o enfermeiro responsável Alan Romagnoli.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)