Começa tratamento de usuários de drogas retirados da Cracolândia

G1
Alguns dos 17 dependentes químicos recolhidos aceitaram o auxílio médico. Acompanhamento está sendo realizado Centro de Assistência Psicossocial.

Um dia após a operação realizada pela polícia civil no bairro do João Paulo, onde foram recolhidos 17 usuários de drogas, teve início o tratamento de parte deles para se livrar do vício. Uma equipe multidiciplinar vai acompanhar os pacientes, cujo tratamento está sendo realizado no Centro de Assistência Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD).

“Eu estudava, trabalhava, ficava com minha família, saía, me divertia. A partir do momento que eu comecei a usar drogas, tudo isso foi eliminado em minha vida”, afirmou um dos rapazes que começou a luta contra o vício, mas preferiu não se identificar. Ele usa craque há quatro anos.

Hoje ele decidiu por um ponto final no uso de drogas e os médicos garantem que quando a iniciativa parte do dependente químico as chances de recuperação são maiores. A mãe do rapaz comemora a iniciativa do filho e conta que já sofreu muito quando ele chegava em casa drogado (confira na reportagem acima).

“Estava sofrendo muito, porque a partir do momento que meu filho entrou nessa vida acabou tudo. Estava muito triste. Ontem ele tomou essa decisão, após conversamos. Ele disse que vinha e me afirmou que isso não é vida”, disse Maria de Jesus dos Santos, dona de casa.

O filho de Maria de Jesus é um dos usuários de crack retirados ontem da Cracolândia no bairro do João Paulo. De acordo com o diretor do Caps AD, Marcelo Costa, dois deles foram encaminhados ao Hospital Nina Rodrigues em surto psicótico. “Eles foram encaminhados ontem mesmo e já estão internados. Os dois serão reavaliados e provavelmente precisarão de um tempo maior de internação, entre 45 dias e 60 dias em alguma clínica especializada em reabilitação, em convênio com o SUS”, afirmou.

No Centro de Atenção Psicossocial, cerca de 70 pessoas estão em tratamento de dependência química. A média de recuperação no local é de 20% dos pacientes, maior que a estatística nacional, que é de 10%.

O diretor do Caps, Marcelo Costa, contou que os tipos de tratamento são específicos para cada nível de dependência e que o resultado é influenciado principalmente da força de vontade do usuário em deixar a droga.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)