´Rotas das drogas são feitas através de extermínio de seres humanos´

O Dia
Depois do discurso do prefeito de Bogotá, na Colômbia, Gustavo Petro, na abertura da IV Conferência Latinoamericana sobre Políticas de Drogas, que termina nesta sexta-feira naquele país – sob a organização da Associação Civil Intercâmbios, da Argentina, e Ação Técnico Social de Colômbia, os presidentes Juan Manuel Santos, da Colômbia, e José Mugica, do Uruguai, enviaram cartas cumprimentando o evento.

Petro alertou para um maior comprometimento dos países que têm problemas com drogas na busca de mudança de leis e maior busca de diáloco com a sociedade.

“Há uma correlação entre a violência e um estilo de política de drogas. A proibição de drogas construiu algumas rotas do comércio ilícito que só podem construir-se a partir do extermínio dos seres humanos. O correlativo da proibição das drogas é o massacre”, disse Gustavo Petro.

Nesta quarta-feira, também discursaram Bo Mathiasen, chefe do Escritório da ONU para Drogas e Crime na Colômbia (UNODC / ONUDD); Farid Samir Benavides Vanegas, vice-ministro para a Política Penal e Justiça Restaurativa no Ministério da Justiça e da Lei de Colômbia; Coletta Youngers, representante do Consórcio Internacional sobre Políticas de Drogas (IDPC); Julián Quintero, o diretor da Corporação Ação Técnica Social, organizador local do encontro, e Graciela Touzé, presidente de Intercâmbios de Argentina, organizador regional da Conferência.

Explicando as razões para a realização da IV Conferência, Touzé afirmou: “Queremos promover um debate e fazer uso do direito democrático de discordar com os discursos e as práticas vigentes em matéria de drogas. E nós queremos fazer uso desse direito com a intenção de transformar uma realidade que nos fere e nos torna desconfortável.”

“Não estamos aqui para discutir o fracasso da guerra contra a droga que já todos sabemos, queremos concentrar-nos sobre como e de que forma mudar este paradigma,” disse Julián Quintero, diretor da Corporação Ação Técnica Social (ATS) da Colômbia, organização do encontro.

Quintero afirmou prioridades: “Estamos interessados em definir o que fazer quando há 9% de prevalência de HIV em utilizadores de drogas injetáveis, lembrar que o consumo de cocaína aumentou em um 75% na escola e refletir sobre as políticas contra as drogas que mata mais do que as drogas mesmas”. Por sua vez, Bo Mathiasen, pediu “para não criminalizar as pessoas que consomem drogas”.

Ele também relatou que, segundo as estatísticas do seu escritório, apenas 5% da população mundial consumiu algum tipo de droga ilícito uma vez em sua vida e só 0.6% da população adulta mundial tem um consumo problemático. “Os grandes desafios hoje são prevenção e tratamento”, disse.

A vice-ministra de Política Penal e Justiça Restaurativa do Ministério da Justiça e Lei, Farid Samir Benavides Vanegas, estabeleceu uma ligação entre as formas ilícitas e a violência, tanto no caso de drogas como na mineração ilegal. “Temos expectativas em superar o atraso de desenvolvimento causado pelo tráfego”, disse ele.

Pelo Consórcio Internacional sobre Políticas de Drogas (IDPC), Coletta Youngers explicou que esta coalizão de organizações não governamentais de todo mundo compartilha o olhar crítico sobre os efeitos da Convenção sobre Estupefacientes adoptada pelas Nações Unidas em 1961, que “não alcançou os resultados desejados e teve impactos indesejados”.

Youngers afirmou que é a primeira vez que se sente num debate real. “Não só pelos ex-presidentes, mas também pelos presidentes em exercício, como Juan Manuel Santos e Otto Pérez Molina”.

A IV Conferência sobre Política de Drogas é patrocinada pela Prefeitura de Bogotá, o Ministério da Saúde e Proteção Social da República da Colômbia, o Ministério da Justiça e a Lei da República da Colômbia, Consórcio Internacional de Política de Drogas (IDPC) e Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC).
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)