Narguile aumenta riscos de doenças

O Regional online
O número de jovens que consomem o narguile vem crescendo cada vez mais, e poucos são os que possuem o conhecimento dos malefícios que podem ser causados perante o consumo constante do produto.

De acordo com o pneumologista e especialista em medicina do sono, Fábio Macchione dos Santos, o narguile é muito nefasto para os jovens, pois permite o compartilhamento do “prazer” de fumar e atua na sociabilidade e aceitação do jovem em busca de autoafirmação.

O narguile tem as mesmas substâncias causadoras de dependência, tolerância e compulsão que o cigarro industrial, que o caracterizam como droga.

“Os pais devem manter os filhos informados sobre os riscos e efeitos nefastos do uso de drogas e manter um canal de comunicação e vigilância, baseado na verdade, confiança e lealdade, e na dúvida procurar especialistas”, alerta o médico.

Entre os jovens, há citação de que a água utilizada no produto filtra a fumaça inalada, mas Fábio explica que a função da água é simplesmente resfriar a fumaça e tornar a aspiração do fumo mais tolerável, especialmente aos não fumantes.

“Ela não tem a capacidade de amenizar os efeitos deletérios do consumo das inúmeras toxinas (nicotina, alcatrão, monóxido de carbono, derivados da queima de carvão e outras 4.000 substâncias nocivas à saúde) presentes no composto de fumo em forma de melaço que pode ser aromatizado com várias essências (flores, mel, maça verde etc)”, reforça.

O médico ainda alerta que já se comprovou que o uso de narguile gera o aumento do risco de doenças cardiovasculares, cânceres do sistema respiratório, digestivo e urinário nos usuários habituais, além do risco de infecções várias pelo compartilhamento da piteira.

Segundo pesquisa de 2008, do PET/INCA, acredita-se que o Brasil possua em torno de 300 mil usuários de narguile, que estão sujeitos a inalar em torno de 10 litros de fumaça em uma hora de sessão em comparação a 30 ml de um cigarro habitual. Acredita-se que uma sessão equivale a cinco maços de cigarro. Daí surge a grande preocupação.

A Anvisa, a partir do mês de setembro deste ano, irá proibir a venda de cigarros com aditivos que incluem sabor e em março de 2014, passará a proibir a venda de tabacos e essências utilizadas no narguile.

Em uma unidade em Catanduva, a vendedora Graziela Campanhola destaca que a procura pelo produto na maioria das vezes é feita por jovens de faixa etária de 14 e 17 anos, porém, o estabelecimento informou que a venda só é efetuada com maiores de 18 anos, com apresentação de RG.

“Na faixa etária adulta é difícil termos comprador, a procura maior mantém a faixa jovial de 18 e 20 anos”, disse.

A vendedora ainda explica que é aconselhado o uso correto com a água, a essência e as pedras de carvão. Que o usuário não deve substituir a água por bebidas alcoólicas, pois pode oferecer risco, assim como também deve acender o carvão apenas com o fósforo ou isqueiro e nunca com álcool, como muitos jovens vêm fazendo e se envolvendo em graves acidentes.

Para Graziela, a procura constante do público jovem pelo produto talvez seja associada ao aroma que as essências proporcionam.

“Quem usa diz que fica com a sensação do gosto do aroma na boca, como menta, chocolate e outros, algo diferente do cigarro, com gosto de fumaça”, disse.

O preço de uma narguile pode variar de acordo com o tamanho e quantidade de bocal (mangueira que é inalada a fumaça); num tamanho médio a peça custa em torno de R$ 65, com a venda de essências e pedras de carvão à parte. Seus produtos são de comercialização importada.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)