UPPs: dispara o número de menores pegos com drogas

O Dia
Na Mangueira, de 100 capturados, 40 eram menores. Na Cidade de Deus, número é de 80%

Policiais da Unidade de Polícia Pacificadora da Mineira, no Catumbi, se aproximam de traficantes. Assustado, P., de 15 anos, passa a droga para André Luís da Silva, 40, que a joga no chão. Os dois acabam na delegacia. O caso aconteceu ontem e retrata triste realidade nas favelas com UPPs: o número cada vez maior de adolescentes apreendidos, já que, segundo a PM, menores entre 14 e 17 anos estão na linha de frente de bandidos na tentativa de driblar a polícia.

Na Mangueira, entre junho e novembro do ano passado, de 100 capturados, 40 eram menores. Na UPP Quadras, da Cidade de Deus, 80% dos detidos também são adolescentes.

“Em seis meses, já apreendi um garoto de 15 anos sete vezes. Como quase nunca ficam muito tempo apreendidos, porque são pegos com pouca droga, menores se tornaram os alvos preferidos na comunidade”, explicou o comandante da unidade, major Bruno Xavier.

Ele já levou moradores da Cidade de Deus ao Padre Severino, instituição para infratores. “Mostramos a realidade de quem se envolve no crime”, disse o oficial. Para o comandante da UPP Mangueira, capitão Leonardo Nogueira, o emprego de menores é uma tentativa desesperada de os criminosos continuarem atuando.

“Como levam pouca droga, é fácil circular com elas. É o ‘tráfico formiguinha’. Além disso, menores são considerados mão de obra barata”, disse ele, lembrando que enfrentou o mesmo problema quando comandou a UPP Pavão/Pavãozinho, em Copacabana.

À frente da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), o coronel Paulo Henrique Azevedo de Moraes admite o problema em outras favelas com UPPs. “Estamos intensificando nosso trabalho junto às famílias e às escolas dos adolescentes. Antigamente, a polícia tratava o caso de forma repressiva. Mas o momento é outro e nos permite agir de outra maneira”, explicou o oficial.

Adolescentes ganham destaque na hierarquia do tráfico

Adolescentes ganharam posto de destaque na hierarquia do tráfico nas favelas com UPP. A afirmação é da delegada-titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Bárbara Lomba.

“Eles sempre foram usados pelo tráfico, porém têm exercido funções mais importantes, como na venda de drogas em áreas pacificadas. O que normalmente víamos eram adolescentes como ‘olheiros’ e ‘fogueteiros’”, explicou Bárbara.

O número de menores apreendidos não tem aumentado apenas nas áreas pacificadas. Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP), em todo o estado, subiu em 50,9% o percentual de adolescentes apreendidos entre janeiro e novembro do ano passado, comparado ao mesmo período de 2011. Em 2012, foram 4.725 menores, 1.595 a mais que em 2011, quando esse número foi de 3.130 adolescentes.

De acordo com a PM, de sexta-feira, às 20h, até a tarde de sábado, num intervalo de menos de 24 horas, 11 menores foram apreendidos assaltando, com drogas e armados. Dois deles, um com apenas 12 anos, estavam em Olinda, Nilópolis, com cocaína. Em Niterói, sábado, três menores foram pegos com carro roubado e armas, um deles de 14 anos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)