Drogas afastam do trabalho mais que álcool

Rede Bom Dia
Dados do governo federal revelam que o total de benefícios a usuários triplicou em sete anos

Uma assombrosa estatística do governo federal revela que o consumo de drogas no país cresce a cada ano e, hoje, cocaína e crack já afastam, em relação ao álcool, mais que o dobro de trabalhadores do mercado profissional.

Em 2012, a quantidade de auxílios-doença concedidos a dependentes de drogas psicoativas, como cocaína e crack, cresceu 10,9% em relação a 2011, superando uma realidade que já ficou para trás, a de que a bebida alcoólica era o que mais prejudicava trabalhadores.

Os dados foram passados pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Nos últimos sete anos, o total de benefícios a usuários de drogas psicoativas mais que triplicou no Brasil. Se em 2006 eles somavam 9.730, em 2012 chegaram a 30.737. No mesmo período, a quantidade de dependentes de álcool afastados do emprego não sofreu grandes alterações e manteve-se em um patamar médio de 13.158. A primeira vez que a soma dos auxílios-doença a usuários de drogas psicoativas superou a de viciados em álcool foi em 2007, quando chegou a 16.351. Desde então, a diferença entre os dois só aumentou.

Nos últimos sete anos, a quantidade de auxílios-doença concedidos a usuários de drogas em geral, como maconha, álcool, crack, cocaína e anfetaminas, passou dos 900 mil.

Só em janeiro, o total de pedidos de auxílios-doença aceitos pelo governo federal para usuários de drogas como cocaína e crack chegou a 2.457, mais que o dobro dos autorizados aos viciados em álcool: 1.044.

São pessoas como o advogado de São Paulo Maurício Bitencourte, de 40 anos. Em 2007, o profissional, pós-graduado em direito do trabalho, foi internado em uma clínica de reabilitação. Na época, misturava cocaína e maconha com bebidas alcoólicas. Em 2010, após mais duas internações, foi demitido e começou a consumir diariamente o crack, que era trocado por ternos, sapatos e um televisor. Mês passado ele e o irmão, ambos desempregados e viciados, conseguiram acesso ao auxílio-doença.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)