Feriado: ingestão de álcool pode deixar efeitos residuais por dias

Agência Brasil
O feriado chegou e muita gente aproveitará o descanso para tomar aquela cervejinha. Mas, embora lícito, o álcool é uma droga, a mais consumida no mundo. Tanto no curto quanto no longo prazo, essa substância traz malefícios para o organismo e, ao contrário do que muitos pensam, seu consumo desenfreado pode deixar efeitos residuais por vários dias.

O psiquiatra da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), Vicente Ramatis, aponta que, apesar de ser permitido na maioria dos países, o álcool é um produto psicotrópico, ou seja, que compromete a parte cognitiva e psicomotora do ser humano. “Esse produto altera o sistema nervoso central, o indivíduo fica com a percepção e coordenação motora alteradas”.

Segundo o médico, mesmo dias depois de uma ‘bebedeira’ é comum surgirem efeitos residuais indiretos relacionados à sua ingestão. “Até cinco dias após beber bastante, o individuo pode apresentar alteração. Pode ser um distúrbio no sono, julgamento equivocado ou irritabilidade. Muitas brigas conjugais e acidentes surgem dias depois disso”, ressalta.

O psiquiatra lembra de um caso ocorrido em um hospital. “Uma vez atendi um acidentado no pronto-socorro. Ele me falou que tinha bebido quatro dias atrás. Quando descreveu como foi o acidente, percebi que todo o problema foi causado por ele. Embora não tivesse bebido no dia em questão, ele ainda apresentava sinais de irritabilidade e julgamento comprometido”, exemplifica.

Efeitos

O uso diário de álcool é uma agressão contínua ao organismo humano e desencadeia uma série de doenças orgânicas e mentais. “Trata-se de uma droga depressora do sistema nervoso central. Num primeiro momento pode até dar uma sensação de alegria, mas no dia seguinte, quem bebeu muito, pode ficar depressivo”, alerta o especialista.

No curto prazo, o álcool causa problemas como dor de cabeça, comprometimento gastrointestinal, tremores, entre outros. “O efeito psicológico pode durar até cinco dias depois. No longo prazo, o indivíduo pode desenvolver problemas no fígado e demais órgãos. O álcool é uma substância que interfere em mais de cem tipos de medicação, anulando ou aumento os efeitos”, afirma Vicente.

De acordo com o especialista, estima-se que até uma em cada quatro pessoas pode ter pré-disposição para desenvolver dependência por drogas, sejam elas quais forem, incluindo o álcool. Nesse caso, a agravante é que a bebida conta com a cumplicidade da sociedade. “Na minha opinião, o álcool não traz nenhum tipo de benefício para as pessoas”, conclui.