Mortes por overdose de ´pó`, vício do crack e alcoolismo aumentam mais de 100%; mãe faz alerta

24 Horas News
Um mistério. Mortes cujas causas não são reveladas cresceram mais de 100% nos últimos anos, principalmente em Cuiabá e Várzea Grande

As vítimas saem de todas as classes sociais, principalmente da classe média, da periferia, mas também há casos envolvendo pessoas ricas, poderosas e até de muito poder. Geralmente, ou em quase 99% dos casos, as mortes por overdoses são encobertas pelas famílias, cujas vítimas exageram no “pó” e no álcool. Além da overdose, os traficantes e as drogas também mataram a tiros (a maioria), a facadas, a pauladas e a pedradas, quase 300 usuários de drogas no ano passado somente na Grande Cuiabá.

Os corpos são encontrados dentro de apartamentos, alguns de muito luxo, de carros, mas também em casebres, dentro de banheiros, em matagais, em ruas e avenidas. Uma mãe fala da morte prematura do filho com muita emoção e deixa recados.

Em nível nacional, a proporção de mortes por uso de drogas é ainda muito pior. A morte do cantor e compositor Alexandre Magno Abrão, o “Chorão”, de 42 anos, líder da Banda Charlie Brown Júnior, pode ter sido causada por uma overdose. Agora o que mais chama a atenção, é que muitas pessoas, a maioria jovens e adolescentes, que começou há pouco tempo, ou até mesmo que está usando droga pela primeira ou pela segunda vez, também estão morrendo.

O garoto que ainda não completou 16 anos chega à recepção de um hospital executivo estrebuchando, como se estivesse morrendo. E estava. Morreu minutos depois.

O corpo estava na calçada da igreja, bem escondidinho sem sinais de violência. A jovem de 17 anos escapa da morte porque vomita – como se diz na gíria “vomita até as tripas”.

A menina de 15 anos não teve a mesma sorte, bem que as pessoas que estavam na festa tentaram puxar a língua dela, mas não teve jeito.

Assim tem sido a rotina dos últimos anos de jovens, principalmente meninos e meninas, ainda adolescentes, envolvidas com bebidas alcoólicas e drogas. Mais de 99% dos casos de morte por overdose não chegam ao conhecimento público, mesmo que a vítima morra em hospitais públicos. Seus nomes nunca são revelados e as causas das mortes geralmente só aparecem nos Boletins de Ocorrências (BOs), da Polícia como desconhecidas ou a apurar.

Nos últimos cinco anos, conforme a reportagem do Portal de Notícias 24 Horas News apurou, mais de 200 pessoas, a maioria com menos de 20 anos de idade, morreu vítimas de overdose de cocaína. Um médico que pediu para não ser identificado confirma que em muitos casos, a família nem sonhava que o filho ou a afilha estavam, sequer tomando cerveja.

O mesmo médico conta ainda que tanto as famílias imploram para os casos não sejam divulgados, como as próprias leis dificultam a propagação das mortes, cujo impacto da divulgação poderia até ajudar a diminuir o alto índice de óbitos por overdose de cocaína e seus derivados, principalmente crack.

No ano passado, além dos quase 400 assassinatos, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ainda registrou mais de 70 mortes, cujas causas ainda são desconhecidas. Em todos os corpos, a Polícia e a perícia técnica não localizaram sinais de violência.

Os corpos, segundo a reportagem apurou, foram localizados nos mais diversos locais de Cuiabá e Várzea Grande. Em quase 100% dos casos registrados sem indícios de violência, pelos menos aparente; os inquéritos abertos são arquivados com autorização da Justiça.

“Além dos corpos que a Polícia recolhe quase todos os dias sem indícios de violência, mas sem a comprovação da causa da morte, outras pessoas também morrem nas mesmas circunstâncias em hospitais públicos e particulares da Grande Cuiabá. Muitas mortes são, sim, suspeitas de overdose, mas que nada pode ser feito em termos de investigações pela Polícia, pois over dose não é crime”, revela um policial civil que pediu para não ser identificado.

“Nós mães e pais devemos ficarmos mais atentos para o comportamento de nossos filhos. Pena que a gente não pode se identificar, até por motivo de segurança, mas é triste, muito triste sabermos que estávamos sendo enganados dentro de nossas próprias casas por nossos próprios filhos. O meu morreu, mas só depois eu fiquei sabendo que ele usava droga, e droga pesada. Agora eu sei que ele morreu de overdose. Só pode, porque, ele não tinha nenhum tipo de doença”, afirmou a mãe, uma mulher de 42 anos de família classe média.

O rapaz, um estudante universitário de 18 anos, morava em um bairro nobre de Cuiabá, morreu em 2011. “Como conversa puxa conversa, eu fiquei sabendo, que além do meu filho, pelo menos outros quatro colegas dele também morreram nos últimos anos. Mortes até hoje não esclarecidas, pois as vítimas, além e jovens, como o meu filho, também não sofriam de nenhum tipo de doença”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)