Cocaína matou o roqueiro Chorão

Estado de Minas
Exame toxicológico feito no corpo do cantor confirmou a tese de que ele morreu de overdose, como outras estrelas

O resultado do exame toxicológico feito no corpo do cantor Alexandre Magno Abrão, o Chorão, de 42 anos, líder da banda Charlie Brown Jr., confirmou a tese de que ele morreu em decorrência do consumo de cocaína em grande quantidade, a chamada overdose. O laudo coloca o cantor ao lado de outras celebridades do mundo artístico, como Elis Regina, que morreram por causa do consumo de entorpecentes.

De acordo com o exame toxicológico, Chorão apresentava 4,714 microgramas da droga por mililitro de sangue, uma concentração que causou uma “intoxicação exógena devido à cocainemia”. O documento integrará o inquérito de investigação da Polícia Civil sobre o caso. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Joaquim Ferreira de Melo Neto, “nenhum organismo consegue metabolizar essa quantidade da droga”. Ele acredita que, por ser uma pessoa forte, Chorão até suportaria uma dose maior, mas a quantidade ingerida fez com que o organismo dele sofresse uma sobrecarga. “A cocaína é metabolizada pelo fígado, coração, cérebro. Todo o corpo fica intoxicado e o coração passa a ter muito trabalho,o que deve ter levado à morte. A parte cardiovascular do organismo não aguenta. Ele pode ter tido uma hemorragia intracraniana, porque os vasos podem se romper pela pressão da droga”, explica o especialista.

A overdose já era uma hipótese considerada pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) como a principal causa da morte. O corpo do roqueiro foi encontrado em 6 de março, por dois empregados, no apartamento que ele usava esporadicamente na Zona Oeste da cidade, que estava completamente revirado. Na época, o delegado responsável pelo caso, Itagiba Vieira, disse que tudo o que tinha na casa estava fora do lugar e alegou que o artista provavelmente teria destruído o local, porque não havia indícios de que pudesse ter ocorrido um homicídio, ou mesmo sinais de luta corporal. A polícia encontrou, além de um pó branco, que pode ser cocaína (o material ainda está em análise laboratorial), caixas de medicamentos e garrafas de bebidas espalhadas.

No dia em que o corpo foi encontrado, o delegado disse ainda que Chorão estava passando por um momento difícil na vida dele, após se separar da mulher, a estilista Graziela Gonçalves. Dias depois da morte do cantor, a estilista disse que as drogas foram o principal motivo que a levou a se afastar dele. Em depoimento à polícia, ela declarou que “perdeu” o cantor “para as drogas”. Na época, além dela, os músicos da banda também foram ouvidos pelo delegado Itagiba Vieira Franco. Segundo ele, todos os depoimentos corroboraram a tese de que o consumo de entorpecentes foi o motivo da morte de Chorão.

Além da desilusão amorosa, o cantor sofria de mania de perseguição. De acordo com o segurança Victor Augusto Mehl, que trabalhava para o artista e que foi quem encontrou o corpo, Chorão achava que estava sendo filmado ou perseguido. De acordo com o segurança, quando o cantor fazia as “baladinhas dele”, achava que sempre tinha gente vendo. Dias antes da morte, ele contou ao funcionário que estava sendo vigiado e fotografado pelo próprio vizinho. Itagiba disse ainda que o artista tinha um quadro psicótico de perseguição. O cantor faria 43 anos na próxima terça-feira.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)