Consumo de álcool por mulheres nos Estados do sul do país cresceu 52% em seis anos

Correio de Santa Maria
Números põem especialistas em alerta sobre os riscos à saúde da população

As mulheres brasileiras estão bebendo mais e com maior frequência, a ponto de colocar especialistas em alerta sobre os riscos à saúde da população.

Um estudo divulgado nesta quarta-feira revela que o consumo frequente entre elas — quando se ingere álcool pelo menos uma vez por semana — cresceu acima da média nacional na Região Sul. Nos três Estados sulistas, a proporção de mulheres que bebem seguidamente cresceu 52% em seis anos.

O 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas coordenado pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas da Universidade Federal de São Paulo mostra que, em 2006, 29% das mulheres não-abstêmias bebiam toda semana. No ano passado, essa proporção saltou para 39% — acréscimo de cerca de um terço. Na Região Sul, esse fenômeno foi ainda mais intenso. Passou de 27% para 41%.

O estudo demonstra ainda que o consumo exagerado, batizado com o termo inglês “binge” e caracterizado pela ingestão de pelo menos quatro doses de bebida para mulheres ou cinco para homens em até duas horas, diminuiu entre eles e cresceu entre elas (uma dose equivale a uma lata de cerveja, taça de vinho ou garrafa pequena de bebida “ice”). Na Região Sul, esse padrão de uso caiu 12% entre os homens mas saltou 25% entre as mulheres, somando quase a metade daquelas que disseram ter consumido alguma quantidade de álcool no último ano.

O relatório nacional aponta a recente melhora na renda da população em geral como uma explicação para esse cenário, já que o uso frequente de álcool também aumentou entre os homens (veja quadro). Mas a explicação para o desempenho feminino envolve outras variáveis. O psiquiatra gaúcho Carlos Salgado, conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), afirma que a crescente tolerância social à embriaguez das mulheres e a iniciação cada vez mais precoce ajudam a entender a situação.

— Uma pesquisa realizada em uma escola particular da Capital, que ainda será divulgada, mostra que o início do consumo está acontecendo pouco depois dos 12 anos, não só para os meninos, mas também para as meninas — revela Salgado.

O especialista afirma que essa mudança de comportamento é preocupante porque aumenta o risco de complicações de saúde e de dependência à bebida.

— Sabemos que o organismo feminino é mais resistente à dor, mas é mais suscetível aos efeitos do álcool. E, depois que começam a beber, algumas vão se tornar dependentes pela predisposição genética — atesta Salgado.

Entre as boas notícias trazidas pelo relatório está a diminuição da proporção de brasileiros que admitiram ter dirigido um veículo depois de beber. Entre 2006 e 2012, houve um recuo de 22% nessa proporção — mesmo número encontrado na Região Sul. Cerca de dois em cada 10 brasileiros afirmaram ter guiado sob efeito do álcool. Anteriormente, quase três em 10 dirigiu embriagado pelo menos uma vez.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)