Restrição da oferta visa a combater o consumo de álcool entre jovens

JM Online
Estimativas da Proteste são de que 10% da população brasileira é dependente de bebidas alcoólicas

Em audiência pública da Comissão de Seguridade Social e Família, deputados cobraram do Congresso medidas para conter o consumo de álcool por adolescentes. Pesquisa do Ministério da Saúde mostra que em 49% das agressões há uso de bebidas alcoólicas, sendo que 10% da mortalidade registrada no País está relacionada com o álcool.

Parlamentares defendem o aumento das restrições à oferta de bebidas alcoólicas, inclusive de cerveja.

Para isso, especialistas propõem a adoção de medidas como o aumento da taxação, restrições da propaganda nos pontos de venda e distância mínima entre esses pontos e escolas. De acordo com o coordenador da Área Técnica de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori Kinoshita, existem duas vertentes para se combater o consumo de álcool: restrição da demanda ou da oferta. Em países europeus, o especialista diz que somente a restrição da oferta reduziu em 30% o consumo de álcool na faixa de 14 anos.

Ainda conforme Kinoshita, levantamentos do Ministério da Saúde mostram que quase 80% dos jovens brasileiros, entre 14 e 18 anos, declaram que usaram álcool pelo menos uma vez no último ano. Quando se trata do último mês, o índice é de cerca de 40%. Já a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), Maria Inês Dolci, ressalta que as estimativas são de que 10% da população brasileira é dependente de bebidas alcoólicas.

E o futuro de jovens consumidores de álcool é justamente adultos alcoólatras que causarão distúrbios no ambiente familiar, o que torna o problema do consumo de bebidas alcoólicas um ciclo vicioso. Por isso, com o objetivo de compreender o relacionamento do casal e o abuso de álcool por algum dos parceiros, uma pesquisa da Unesp, intitulada “Violência, dependência de álcool e relações conjugais” vem estudando a situação para orientar casais para que compreendam como a relação é afetada pelo uso nocivo ou dependência de álcool e de que forma as brigas também podem impulsionar o abuso de álcool por parte dos jovens.

Álcool e violência. Marianne Ramos Feijó, psicóloga e especialista em terapia familiar, afirma ser importante que a população passe a compreender a influência, direta e indireta, do álcool na ocorrência de violências, dentro e fora de relacionamentos afetivos. “O destaque da pesquisa é entender o relacionamento conjugal afetado por essas questões e de uma maneira qualitativa. Existem estudos que falam da saúde de uma maneira geral e da interferência do álcool na família, mas a relação conjugal, que pode inclusive fazer parte e sustentar essas duas outras questões, ainda é pouco estudada. É importante considerar que essas questões são problemas de saúde pública e que precisam sofrer intervenções, tratamentos e medidas mais eficazes do que temos atualmente”, afirma.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)