Em 19% dos atendimentos a adolescentes viciados, 42% combinam drogas e álcool

HNews
Em Maringá, de acordo com um levantamento do Centro de Atenção Psicossocial Infanto juvenil (CAPS I), em 19% dos atendimentos a dependentes químicos, 42% deles fazem uso de alguma bebida alcoólica. A responsável pelo centro, Alessandra Alves, alerta: “a dependência do álcool é uma doença séria e precisa ser tratada”.

“O alcoolismo é progressivo, começa na grande maioria dos casos na adolescência, na fase de curiosidade, experimentação. A dependência só vai se caracterizar na vida adulta, quando já foram causados inúmeros estragos na vida da pessoa”, afirma a assistente social e membro do Conselho Municipal Anti-drogas de Maringá, Helena Maria Ramos dos Santos.

A especialista aponta dois fatores determinantes que influenciam na dependência, segundo ela, até mesmo a genética pode estar relacionada ao vício. “Pesquisas apontam que filhos de dependentes do álcool têm quatro vezes mais predisposição a se tornarem alcoólotras também”, explica.

Apesar da lei que proíbe a venda de bebidas alcoolicas não existe fiscalização. “É preciso que haja um trabalho de educação dos donos de bares, pois eles não estão preocupados com as consequências que isso pode acarretar na vida de um adolescente”, afirma Helena.

Fatores externos

Helena pontua que os adolescentes são influenciados pelos estímulos visuais que recebem de uma gama cada vez maior de propagandas. E não só isso. “Até mesmo a própria família aceita e acha normal que o adolescente comece a beber”. Ela explica que a iniciação ocorre muitas vezes em festas de família, churrascos com os parentes, no almoço do fim de semana. “As vezes na festinha de aniversário das crianças existe a presença de bebidas alcoolicas, isso torna o álcool comum, aceitável e até indispensável, nesse meio o adolescente enxerga os exemplos, sente que é normal”.

E a penetração do álcool vai além, até mesmo na escola. Helena relata que conhece casos de adolescentes que combinavam bebidas alcoólicas com outras bebidas não alcoólicas. “Professores já nos relataram alunos estavam tomando refrigerante, mas que na verdade tinham misturavam vinho e outras bebidas”, revela.

Fatores internos

Além das questões extrínsecas, Helena alerta que problemas psicossociais também influenciam a busca pelas bebidas alcoólicas, como fuga de conflitos interiores. Por estar em fase de formação, a especialista diz que o adolescente ainda não possui maturidade para compreender a complexidade emocional e as instabilidades comuns a essa fase da vida. “Insatisafação com a própria vida, baixa autoestima, não ter coragem para uma postura desafiadora diante da vida, não saber lidar com a frustração, sintomas depressivos, condição social, falta de qualidade de vida e a ausência de um projeto de futuro”, são fatores determinantes.

Orientações

Para a especialista a prevenção deve começar dentro de casa o quanto mais cedo possível. “A prevenção deve começar na infância, dentro da própria casa deve restringir o consumo de bebídas alcoólicas, evitar deixar na geladeira algumas matinhas, por exemplo, é um passo importante ajuda a pelo menos não tornar a bebida algo tão comum a vida do indivíduo”, pontua.

Porta de entrada

O coordenador da Associação Maringaense de Apoio e Reintegração de Adolescentes (AMARAS) Wilson Rocha, explica que o alcool pode interferir na dependência e agravar o estado psíquico e emocional. “O álcool é a porta de entrada de outras drogas como o crack, a maioria dos internados inicialmente fazia uso de álcool, antes de se envolverem com drogas mais pesadas”, afirma.

Tratamento

O diagnóstico de alcoolismo é muito difícil, pais e responsáveis devem estar atentos quando os adolescentes chegarem em casa embriagados, este é um sinal de cuidado que não deve ser desprezado.

Alessandra sustenta que para os adolescentes maringaenses o CAPS I oferece auxílio para se livrar do vício. “Nós trabalhamos com uma equipe multidisciplinar de médicos, assistentes sociais, psicólogos, terapeutas ocupacionais, procurando enxergar esse adolescente de modo global. Além disso, oferecemos suporte à família”.

O período de desintoxicação do álcool é muito danoso para o paciente e tem sintomas que precisam de atenção e cuidado, como explica Alessandra, “esse adolescente dependente do álcool, precisa ser acompanahdo no período de abstinência, que pode causar sintomas como sudorese, alteração na pressão, desidratação e aceleramento cardíaco e em casos críticos pode levar a morte, as pessoas precisam se conscientizar da emergência da situação”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)