O alvo da publicidade

A segunda exposição do evento, de Ilana Pinsky, doutora em psicologia médica pela Unifesp e pós-doutora pelo Robert Wood Johnson

Ela corroborou para reforçar as palavras de Raul, destacando o resultado de seus estudos, que apontaram os jovens menores de 18 anos como público-alvo da publicidade. Um dos levantamentos conduzidos por Ilana Pinsky avaliou os anúncios de quatro canais da TV aberta durante duas semanas e durante três períodos de elevada audiência: Carnaval e Copa do Mundo, eventos que atraem a atenção à TV, e a Páscoa, período de descanso em que a televisão também é fonte de lazer e diversão.

“Os resultados mostraram que existe uma relação direta na transmissão da propaganda de bebidas em todos os períodos do dia, com destaque para a transmissão relacionada a esportes. Cerca de 69% dos anúncios de álcool na TV são feitos em atrações esportivas e não houve nenhum programa esportivo que não tivesse bebidas alcoólicas entre os anúncios”, relata Ilana Pinsky, que é vice-presidente da Abead e idealizadora do seminário.

Segundo a pesquisadora, esse tipo de programação é mais frequente nos períodos da manhã e da tarde e tem forte apelo entre o público menor de idade, que fica exposto à propaganda de bebida. “Diversos estudos já mostraram que quanto maior a exposição à publicidade, maior o consumo e álcool”, afirma Ilana Pinsky. Para ela, a autorregulamentação publicitária não é suficiente para evitar abusos e seriam necessárias restrições à propaganda de álcool tão rígidas quanto as existentes para o cigarro.

A posição está alinhada com documento aprovado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) na semana passada que propõe que a publicidade não tenha como alvo os jovens, mesmo os que têm idade legal para beber. “Essas evidências do consumo de álcool entre jovens são ainda mais preocupantes por sabermos que, neles, os efeitos podem ser ainda mais devastadores. Além de estar atrelado à maior parcela de acidentes de carro e agressões entre os jovens, o consumo de bebidas alcoólicas entre os adolescentes pode provocar sérias alterações comportamentais, sendo ainda a principal porta de entrada para o consumo de outras drogas. Isso apenas para resumir os estragos provocados pela bebida”, afirma Ilana Pinsky.
Fonte:UNIAD – Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas