82% dos jovens provam drogas lícitas antes da maioridade

A Tribuna
Oitenta e dois por cento dos jovens provam drogas lícitas (álcool ou cigarro) antes de atingir a maioridade. É o que mostra estudo realizado com mais de 17.371 estudantes do Ensino Médio em 27 capitais do País. O levantamento foi realizado em 2010 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“Desde 2008, já identificamos a tendência do consumo abusivo de álcool na adolescência”, destaca a pesquisadora Zila Sanchez. “O estudo constata que o jovem que bebe, geralmente, está mais exposto ao sexo sem prevenção (camisinha). E quem começa a beber ainda antes dos 12 anos tem 60% mais chances de desenvolver a dependência química”.

Para ela, o homem se sente mais confortável no papel de transgressor, seja com o contato com as drogas lícitas ou ilícitas. Mas se surpreende com as classes A e B estarem associadas à essa situação. “Porque temos a visão de que isso só ocorre nas classes mais baixas”.

Bar ou lar

A conselheira tutelar de Santos, Taís Pereira Aguiar, confirma o aumento no uso de bebidas entre adolescentes, independentemente da condição financeira ou gênero. “Quando acontece nas classes menos favorecidas, é dada maior ênfase do que em classes de poder aquisitivo mais elevado, por ser culturalmente mais aceito ou considerado normal”, explica.

“Isso é cada vez mais recorrente porque as famílias costumam se reunir em torno de uma mesa, via de regra, com bebidas alcoólicas”, ressalta a presidente do Fórum Municipal da Criança e do Adolescente de Santos, Flávia Rios.

Ela lembra o caso de uma mãe que levou a filha adolescente à casa de uma amiga e, como as jovens estavam sozinhas, embebedaram-se em um bar. “A bebida está associada ao poder. Se o adolescente oferece bebida à garota, ele é aceito, conquista a parceira”.

Flávia cita outras ocasiões em que se dá o consumo. “Tem o ‘esquenta’, onde o adolescente precisa beber antes de ir para a balada. E têm os estabelecimentos que vendem bebidas para menores”. Para a presidente da entidade, o tema deveria ser enfatizado por entidades de defesa da criança e do adolescente, como conselhos, colégios e o poder público.

Debates

À frente do Comitê Municipal de Políticas Antidrogas, o vice-prefeito Eustázio Alves Pereira Filho promete intensificar o debate sobre o tema nos próximos quatro anos. “Esse estudo do Cebrid mostra a ausência de políticas de prevenção nas últimas décadas no Brasil”.

Pereira Filho garante que a Prefeitura repetirá o programa estadual com um professor-mediador em cada uma das 81 unidades municipais de ensino, para discutir esse tema com os alunos. O projeto de conscientização terá supervisão periódica do comitê.

O vice-prefeito aponta futuras parcerias com movimentos religiosos, a Polícia Militar – que desenvolve o Programa Educacional de Resistência às Drogas (Proerd) nas escolas – e centros acadêmicos para fazer estudos sobre as drogas na Cidade.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)