Álcool e drogas afastam mais de 40 trabalhadores por mês no ES

Uma média de 43 trabalhadores são afastados todos os meses, no Espírito Santo, por conta de problemas com álcool e outras drogas, segundo dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do estado. As alterações de comportamento provocadas pelo alcoolismo são as causas de demissão e afastamento alegadas pelas empresas. Devido à recorrência do problema, instituições apostam em ações preventivas, com participação familiar e acompanhamento médico.

Dominado pela dependência, um trabalhador que preferiu não se identificar relata ter sido tomado pela agressividade e reagido de forma feroz em serviço. “Uma vez, o serviço estava atrasado, mas eu fui ao bar comer um salgado e ingeri mais bebida alcoólica do que deveria, porque eu ainda estava em horário de serviço. Quando eu voltei, o gerente de serviço me admoestou e eu o mandei para o inferno. Fui demitido. Se eu não tivesse bebido, seria outra coisa, porque a bebida torna a pessoa muito agressiva”, falou.

Apesar de ter superado o álcool, o homem afirma que as marcas vão ficar para a vida toda. “Hoje, eu estaria aposentado, recebendo uma faixa de cinco salários mínimos, enquanto hoje eu recebo apenas um salário mínimo”, disse.

Por conta dos problemas causados pelo alcoolismo, como o afastamento do emprego ou até a demissão, empresas começaram a investir em ações preventivas e auxiliadoras para aqueles que necessitam. “Elas tem tomado dois tipos de posicionamento. O primeiro é fazer algum tipo de ação preventiva, de conscientizar os colaboradores, com palestras e ações que trazem a família. Por um outro lado, quando já foi identificada uma situação mais crítica, aí fazem uma ação um pouco mais próxima, de acompanhar e indicar para algum tipo de tratamento”, explicou presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos no Espírito Santo, Danielle Quintanilha.

Vítima de alcoolismo, um funcionário conta que o apoio recebido pela instituição em que trabalhava foi fundamental para a recuperação. “Um certo dia, eu já cheguei um pouco alterado no trabalho e lá fiz mais uso de álcool. Então, encostei para descansar um pouco e adormeci. Fui punido com três dias de suspensão, mas não fui demitido. Fui chamado na assistência social e ela me orientou que eu fosse para uma clínica de recuperação no Rio de Janeiro. Já recuperado, procurei um grupo de alcoólicos anônimos e continuei na mesma empresa, onde eu fui reconhecido e consegui até me aposentar”, relatou.

Como voluntários do grupo Alcoólicos Anônimos, os trabalhadores buscam, hoje, direcionar os que sofrem com a dependência do álcool e mostrar a possibilidade de retomar o controle da própria vida. “Um dia de cada vez, evitamos o primeiro gole”, declarou.
Autor:
OBID Fonte: Globo.com