Consumo de crack entre estudantes de 13 a 15 anos aumenta, diz IBGE

G1
Consumo da droga tem aumentado também em Montes Claros.
Caps para crianças e adolescentes deve ficar pronto até início de 2014.

Dados do IBGE apontam crescimento no consumo de crack por adolescentes entre 13 e 15 anos. A pesquisa, feita com estudantes, identificou que pelo menos 15 mil alunos de escolas públicas e privadas fumaram crack pelo menos uma vez em 2012. Este número cresceu 1,2% em três anos. Em Montes Claros não há um levantamento deste tipo, mas quem lida diretamente com o tratamento de dependentes afirma que o número tem crescido.

Elbert Emanuel administra uma comunidade terapêutica com sete pessoas em tratamento. “A cada 10 telefonemas que recebemos diariamente, oito são de dependentes de drogas ilícitas, e cinco são crianças ou adolescentes”, fala.

A comunidade foi criada há quatro anos por iniciativa do próprio Elbert, ex-dependente químico. “Aos 19 anos tive meu primeiro contato com as drogas, aos 23 fui internado. Saí, tive uma recaída e voltei. Resolvi trabalhar na área por já ter passado pela situação.”

A recuperação dos internos é baseada em um cronograma diário de atividades, que vão desde a limpeza e conservação da estrutura, até a participação em aulas de informática e artesanato. Eles recebem também acompanhamento de uma equipe de profissionais da saúde.

Relato de quem sofre com as drogas

Há um mês, um interno, que prefere não se identificar, se internou na comunidade terapêutica para se tratar. Ele diz que começou a utilizar drogas por influência de amigos.

“Há quem pense que a droga vai resolver conflitos familiares e sentimentais, sem perceber que está criando outro muito pior. Havia noites em que eu esperava o dia seguinte chegar para comprar a droga, se não usasse parecia que ia morrer”, diz.

O rapaz ainda conta que para lutar contra o vício é preciso persistência. “A força de vontade tem que partir do usuário, não adianta prender e amarrar, se a pessoa não quiser ser curada.”

A mãe de um adolescente, que também prefere não ser identificada, conta que o filho também teve contato com as drogas por meio de amigos e colegas de escola. O menino, que é filho de pais separados, morava em São Paulo e passou as férias em Montes Claros em janeiro. Como o garoto passou mal, a mãe resolveu deixar tudo para trás e se mudou para a cidade, para ajudá-lo a buscar tratamento.

“Fui desconfiando a partir da mudança de comportamento dele, estava nervoso, agressivo. Ele era vaidoso e começou a ser desleixado, e o rendimento na escola caiu, ele chegou a repetir duas séries”, conta a mulher.

Desdo início do tratamento, o adolescente já teve duas recaídas, mas o acompanhamento médico e psicológico já teve bons resultados. “É uma luta diária que exige muita paciência. Ao invés de brigar e bater, é preciso conversar e tentar mostrar que as drogas deixam as pessoas felizes no momento,mas depois só traz problemas.”

Estrutura em Montes Claros

Segundo o coordenador municipal de Saúde Mental, Leonardo Félix, na cidade há um programa provisório de Atenção à Saúde Mental da Criança e do Adolescente, que tem 60 inscritos. Um dos atendidos foi um menino de 10 anos, que utilizava crack.

Os casos são encaminhados até o órgão pelo Conselho Tutelar, Ministério Público, Coordenadoria da Infância e Juventude e Justiça e, geralmente, tem um perfil específico.

“As crianças e adolescentes vem na maioria das vezes de famílias desestruturadas e pobres, além disso, tiveram múltiplos problemas e perdas ao longo da vida”.

Leonardo Félix diz também que quando o vício é de crack, o tratamento é ainda mais complicado, já que ainda não há sequer medicamentos específicos para o tratamento da droga, que está se alastrando cada vez mais.

Para disponibilizar uma estrutura voltada somente para o tratamento de crianças e adolescentes, a prefeitura elaborou um projeto de um Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil. No local poderão ficar internos, por seis meses, os adolescentes sem vínculo familiar ou que precisem ser afastados do lar. O investimento vai ser de R$ 1,8 milhão e a implantação deve ocorrer até o início de 2014.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)