Estudo revela: cresce o consumo de álcool entre as grávidas

Cidade Verde
A porcentagem de mulheres que ingerem grandes quantidades de álcool tem aumentado pelo menos duas vezes mais rápido que entre os homens. Essa é a conclusão do último levantamento do Ministério da Saúde que abordou o consumo abusivo de bebidas alcoólicas.

O aumento expressivo do consumo de álcool chama ainda mais a atenção quanto ao acréscimo de mulheres que ingerem bebidas durante a gravidez. Estudos brasileiros indicam que de 20% a 40% das gestantes consomem algum tipo de bebida alcoólica.

A ingestão de álcool durante a gravidez pode acarretar uma série de problemas na formação do feto, aumentando o risco dos bebês desenvolverem um conjunto de deficiências conhecida por Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). A Organização Mundial de Saúde estima que a cada ano 12 mil bebês no mundo nascem com a Síndrome.

O obstetra Alberto Monteiro explica que a SAF é uma doença causada no bebê pelo consumo de álcool pela mãe durante o período de gravidez. “Quando a futura mãe consome uma bebida alcoólica, o álcool é passado para a criança e prejudica áreas do cérebro, comprometendo funções importantes, como o equilíbrio, aprendizado, memória e até mesmo o relacionamento social”, disse especialista.

Outro fato determinante para o aumento da síndrome é um grande número de mulheres beberem socialmente e a maioria das gestações não serem planejadas aumentam o risco de ocorrer a SAF.

“Basta apenas um gole de cerveja para que o álcool ingerido pela gestante ultrapassa a barreira da placenta indo diretamente para a circulação fetal, prejudicando a transferência de nutrientes e oxigênio. Em menos de uma hora, os níveis de álcool no sangue fetal são iguais aos da mãe”, enfatiza Alberto Monteiro.

As consequências da Síndrome Alcoólica Fetal permanecem a vida inteira, com intensidade variável, podendo ocasionar alterações no rosto no bebê, atraso no crescimento, má coordenação motora, retardo mental e outros distúrbios. “Muitos sintomas do consumo de álcool no período gestacional só começa a aparecer depois que a criança cresce”, afirma Alberto.

Em casos de consumo exagerado de bebidas alcoólicas, há riscos de distúrbios comportamentais e cognitivos. Além disso, o bebê pode sofrer crises de abstinência, ter dificuldade para dormir e menor reflexo para sugar o leite materno.

Vale reforçar que as primeiras semanas de gestação são cruciais para o desenvolvimento do feto. Os órgãos estão se diferenciando e o esqueleto está se formando. “Muitas vezes a mulher consome álcool sem ao menos saber que esta grávida, daí o maior prejuízo aos fetos em inicio de formação”, justifica obstetra.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)