Hospital faz campanha para conscientizar a população sobre doença e seu tratamento

DM Notícia
Com o objetivo de comemorar o dia mundial de luta contra as hepatites virais, celebrado no domingo passado (28), o Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA), no Setor Jardim Bela Vista, em Goiânia, realizou, ontem, uma campanha voltada para o diagnóstico precoce e a prevenção de hepatites dos tipos B e C. No evento, realizado em uma tenda no estacionamento do hospital, 200 testes rápidos de hepatite B doados por laboratórios e indústrias farmacêuticas parceiros foram disponibilizados para funcionários e acompanhantes dos pacientes do hospital. Médicos residentes também prestaram orientações sobre os cuidados preventivos, os sintomas e as formas de tratamentos contra as hepatites virais.

O teste rápido facilita o diagnóstico precoce da doença, que muitas vezes não manifesta sintomas e só é identificada quando o paciente já está com um quadro clínico avançado e grave. De acordo com a diretora técnica da unidade, a médica infectologista Letícia Aires, o foco da campanha é alertar e conscientizar a população de que a hepatite B é uma doença sexualmente transmissível (DST), mas que também pode ser adquirida numa simples sessão de manicure e pedicure, ou em acidentes profissionais durante o manuseio de material biológico, ou através do sangue e do compartilhamento de agulhas e seringas, facilitando sua transmissão. “Muitas pessoas ainda não sabem que existe vacina contra a hepatite B e que ela é fornecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Campanhas de esclarecimento como essa são extremamente importantes, ainda mais pelo fato de que a hepatite B é mais contagiosa que o HIV e o vírus da hepatite C”, explicou a médica infectologista.

Ainda de acordo com ela, a hepatite, ou inflamação do fígado, é considerada um grave problema de saúde pública no mundo nos dias atuais. E pode ser causada por vírus, pelo uso de alguns remédios, pelo abuso do álcool e de algumas drogas, e também pelas doenças autoimunes, metabólicas e genéticas. A hepatite, à semelhança do câncer, é uma doença silenciosa que, no começo, nem sempre apresenta sintomas. Os sintomas mais comuns podem ser o cansaço, a febre, o mal-estar, a tontura, o enjoo, o vômito, as dores abdominais, a pele e os olhos podem se tornar amarelados, a urina escura e as fezes claras.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que as hepatites virais são responsáveis por 78% dos casos de câncer hepático primário em todo o mundo. No Brasil, as hepatites virais mais comuns são as causadas pelos vírus A, B e C. Existem, ainda, os vírus D e E, esse último mais frequente nos países africanos e asiáticos. Outro dado importante é que milhões de pessoas, no Brasil, são portadoras dos vírus B ou C e não suspeitam disso. Há ainda o risco das doenças evoluírem (tornarem-se crônicas) e causarem danos mais graves ao fígado, a exemplo da cirrose e do câncer. Visitas regulares ao médico e exames de rotina podem fazer toda a diferença no diagnóstico precoce da doença. Segundo a infectologista, de cada 100 pessoas portadoras de hepatite B, 15 chegam à forma crônica da doença, e a cada 100 portadoras do tipo C, 80%, mesmo sem apresentarem sintomas, são agentes transmissores em potencial. “Há muita gente infectada que não sabe disso. Quem fez transfusão de sangue antes de 1996 precisa fazer o exame. É que a doença foi diagnosticada pela primeira vez naquele ano. O teste é simples e confiável. O resultado sai com uma semana a dez dias”, informou a diretora técnica do HDT/HAA.

A vacina contra a hepatite B faz parte do calendário nacional de vacinação da criança e do adolescente e, desde o início deste ano, está disponível para adultos com até 49 anos de idade em toda a rede do SUS gratuitamente. Todo recém-nascido deve receber a primeira dose logo após o nascimento, preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida. Se a gestante tiver hepatite B, o recém-nascido deverá receber, além da vacina, a imunoglobulina contra a hepatite B nas primeiras 12 horas de vida, para evitar a transmissão de mãe para filho.

A assessoria de comunicação da unidade médica informou que dos 200 testes realizados com voluntários, apenas um teve resultado positivo para hepatite B. O paciente já foi encaminhado para avaliação médica e posterior tratamento.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)