Cigarro, droga liberada

Em Tempo Online
Atualmente, se fizermos um cálculo simplificado, caso uma carteira de cigarros custasse dez reais, mais de oito reais seriam de impostos.

E apesar da pesada tributação, mesmo que um indivíduo fumante pague isso por toda sua vida, dados mostram que se ele cair doente, vitimado pelo fumo, o dinheiro arrecadado pelos impostos não daria para cobrir o seu tratamento.

Como mostra texto explicativo da globo.com, aqui compartilhado, o cerco está se fechando. A Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) recomenda medidas mais restritivas ao consumo de tabaco e acredita que há inúmeros benefícios para a saúde pública em estender a lei antifumo para áreas externas de uso coletivo, como parques e praças, a exemplo da medida já adotada na cidade de Nova York.

E a nova regra, uma forma de combater o tabagismo passivo e desestimular novos fumantes, sobretudo os jovens, proíbe o fumo em áreas abertas como praias, piscinas, centros de recreação e praças e prevê multa de US$ 50 para quem desrespeitar a lei.

No Brasil, o tabagismo passivo é a terceira maior causa de morte prevenível. Além disso, o fumo, entre outros efeitos nocivos à saúde, aumenta o risco de doenças respiratórias nas crianças em 50%, de câncer de pulmão em 30% e de infarto em 24%. A fumaça do cigarro possui mais de 4 mil substâncias prejudiciais, que também trazem riscos à saúde mesmo em locais abertos. Crianças e adolescentes, público frequentemente presente em parques, praças e praias, estariam menos expostos ao tabaco.

Outro ponto importante, é que medidas mais restritivas estimulam os fumantes a deixarem o hábito e procurarem tratamento. Não só por esses, mas por outros inúmeros benefícios que podemos vislumbrar, a medida adotada em Nova York é um exemplo a ser seguido pelo nosso país.

No entanto, a Abead, entende que a regra deve ser acompanhada de outras ações como a maior tributação da substância e restrição da publicidade em pontos de venda. Da mesma maneira, é necessário mais investimentos para aumentar a rede de atendimento e oferecer tratamento para os usuários que desejam se curar da dependência do tabaco.

Entende também que o poder público deve zelar pela saúde coletiva e que uma restrição como essa não deve ser vista como uma forma prejudicar ou estigmatizar os tabagistas.

Dados mostram que o tabagismo é a maior causa de morte evitável no mundo. No Brasil, cerca de duzentas mil pessoas morrem por ano, vítimas do uso de tabaco. Atualmente, com a grande disponibilidade de informações, quase todo fumante sabe dos malefícios do tabaco e, de acordo com pesquisa recente, cerca de 80% deseja parar de fumar.

Entretanto, os tabagistas têm muitas dúvidas em como iniciar este processo e manter-se longe do cigarro.
Segundo a especialista Sabrina Presman,“É preciso reformular os hábitos, conseguir novas formas de lidar com os sentimentos e ter consciência de que a fase de abstinência é um período de adaptação, mas que acaba.

Vale lembrar também que são raros os casos em que as pessoas conseguem parar de forma radical. O ideal é que a cessação se dê de maneira gradual e com muita força de vontade, para não desanimar ou desistir em casos de recaídas”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)