Educar os filhos ou educar os pais?

DM Notícia
O problema das drogas no interior das escolas leva a outros problemas tão ou mais sérios que este. Dentre eles está o roubo que, infelizmente, tem se tornado frequente. Ao falarmos em roubo, não nos referimos apenas ao furto de uma borracha ou uma lapiseira: trata-se de casos mais sérios, como alunos subtraírem dinheiro de bolsas de professoras, furto de celular, notebook, bicicleta e outros.

É inquestionável que a droga gera a violência, as brigas entre colegas e a formação de grupos (gangues), que estendem sua rivalidade a outros espaços fora da escola.

A problemática das drogas já conhecemos. Mas, temos dificuldades em lidar com ela.

As leis são morosas e, além disso, há o problema dos pais que estão se esquivando de seu papel , deixando a cargo da escola toda a responsabilidade sobre a formação dos e jovens e adolescentes.

Alguns órgãos não governamentais têm nos auxiliado na prevenção, e esta ainda é a melhor forma de evitarmos o problema.

O movimento denominado “Maçonaria Contra as Drogas” tem ministrado palestras nas escolas, tentando conscientizar os adolescentes dos perigos aos quais estão expostos.

A própria Secretaria de Educação , através dos Núcleos de Tecnologia, vem oferecendo cursos aos educadores para que estejam aptos a enfrentar, no dia-a-dia, os inúmeros transtornos que o uso das drogas traz para as dependências das escolas.

O que percebemos, porém, é que a cada dia nossos alunos estão começando mais cedo, e não há dúvidas de que há adultos que “patrocinam” isso.

Sabemos da existência da droga nas escolas, sabemos quem são os alunos envolvidos, mas muitas vezes nos sentimos incapazes de agir, pois as raízes do problema estão fora da escola.

Não há parceria dos pais, o professor é visto como o responsável pelo insucesso do aluno e, se tenta dialogar, ainda que com o intuito de ajudá-lo, há sempre uma resposta negativa por parte das famílias, que acham que o professor está sendo severo demais, que o filho está sofrendo bullying, que a escola discrimina e que tudo isso pode gerar trauma no filho, e consequentemente, tirar-lhe o interesse pelos estudos.

Nos últimos anos temos percebido o interesse e os investimentos do governo na área da educação: professores sendo preparados, estrutura física das escolas sendo recuperada, projetos sendo implantados para manter o aluno mais tempo na escola e, assim, longe das drogas e do crime.

Todo esse esforço tem por finalidade a formação intelectual e social do aluno, o que só será alcançado com a participação de todos os envolvidos.

De nada adianta o governo criar projetos, investir na formação de professores e na estrutura das escolas, se o elemento mais importante, o aluno, está alheio a tudo isso.

Infelizmente os pais se afastam a cada dia das escolas de seus filhos, negam-se a atender as convocações para reuniões e entrega de notas, e por vezes, depois do filho ter resultados insatisfatórios, quase sempre no final do ano, aparecem ou telefonam para cobrar do professor.

O sucesso da educação não depende apenas do governo ou dos professores.

É urgente que os pais mudem de postura. Nossos adolescentes necessitam de orientação, e infelizmente, a escola não pode arcar sozinha com tantas responsabilidades.

O governo sabe onde e como investir para garantir uma educação de qualidade; o professor sabe como trabalhar e usar os recursos disponíveis. O que falta para que todos os objetivos sejam alcançados é educar os pais para serem pais e assumirem seu papel na educação de seus filhos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)