Maconha não sai da pauta desde os anos 60, diz especialista da ABEAD

XXII Congresso da Associação recebe estudiosos brasileiros e internacionais para estudo amplo sobre a maconha

O XXII Congresso Brasileiro da ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas), que será realizado entre os dias 4 e 7 de setembro de 2013, no Hotel Atlântico Búzios, no Rio de Janeiro, está com os preparativos a todo vapor. O debate sobre a maconha será abordado em diversas ocasiões ao longo do evento e irá promover um amplo estudo sobre o assunto.

Para Carlos Salgado, psiquiatra e coordenador da Comissão Científica do Congresso, o tema merece muito espaço em nossa reflexão cotidiana. “Maconha não sai da pauta desde os anos 60. Ora com imagem maligna, ora até terapêutica. O encontro irá repercutir a pauta social e científica, além de ser um sucesso histórico, capaz de mexer também em políticas públicas para o álcool, tabaco, maconha e outras drogas”, ressalta.

No primeiro dia do Congresso, em 4 de setembro, será realizado um curso com o tema “Maconha: um desafio persistente”. Já no dia seguinte (5), ocorrerá uma conferência sobre as “Consequências adversas do uso da maconha” e uma mesa redonda abordando o “Impacto do uso da maconha na psicoterapia”. Terá também um debate no dia 6 indagando “Por que liberar a maconha?” e outra mesa redonda sobre “Como tratar quem acha que não precisa?”.

Entre os palestrantes está o neozelandez David Fergusson, psicólogo dedicado ao tema do uso de maconha e de suas consequências. O especialista coordena com outros autores expressivos da área da dependência química, estudos que acompanham aspectos psicológicos da droga.

Segundo Analice Gigliotti, presidente do Congresso, a ideia desta edição é promover um amplo e saudável espaço para debate, utilizando as pesquisas de grande influência. “Para isso, especialistas de todo o Brasil e do mundo se reunirão no Rio de Janeiro. Fergusson, por exemplo, tem o maior estudo longitudinal já feito, analisando as consequências futuras do uso precoce da maconha. Ele acompanhou por 35 anos mais de 1.200 crianças”, explica.

Ainda de acordo com Analice, a equipe da ABEAD está trabalhando para que este Congresso seja o melhor da história. “Não podemos negar a força da relevância de todas as pesquisas que esperamos conhecer no evento. Desta forma, é de extrema importância a participação de todos para enriquecer nossos debates”, finaliza.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)