Cansada de ver tudo sumir dentro de casa, mãe ameaça fazer uma loucura com filho drogado

Banda B
Cansada de ver os pertences de sua casa serem constantemente roubados por seu filho usuário de drogas, F. R., moradora da Estação Barigui na Cidade Industrial de Curitiba, relatou seu sofrimento à reportagem da Banda B no final da tarde desta segunda-feira (5). Segundo ela, o filho já esteve internado, mas fugiu em pouco tempo e continua atormentando a família quase que diariamente. “Eu não aguento mais, tenho medo de que uma quadrilha invada a minha casa para roubar o pouco que me sobrou”, relatou.

Segundo ela, já são mais de cinco anos de luta contra o vício do filho e, se algo não for feito, logo ela tomará uma medida extrema. “Eu tenho um filho especial para cuidar e já estou esgotada. Eu converso com ele e só ouço deboche. No último domingo ele roubou o dinheiro que eu usaria para fazer o nosso almoço, eu quero que algo seja feito”, comentou.

Fátima relatou também que o filho estava morando em um mocó até poucos dias atrás, mas com o grande número de chamados a policia, o dono vendeu o local e o jovem retornou para pedir abrigo. “Ele prometeu se regenerar, mas já percebi que nada pode ser feito. A Justiça já prometeu uma internação forçada, mas até agora nada. Eu espero não ter que fazer uma loucura, mas estou próxima disso”, concluiu.

Consumo cresce

Pesquisa com estudantes do último ano do Ensino Fundamental revela que cerca de 15 mil consumiram crack. Segundo estudo do IBGE, uso de drogas ilícitas cresceu 1,2% em três anos. Em contrapartida, caiu percentual de alunos que experimentam cigarros.

Cerca de 15 mil estudantes do nono ano do Ensino Fundamental de escolas públicas e privadas brasileiras fumaram crack pelo menos uma vez em 2012. Os jovens têm entre 13 e 15 anos de idade. O número de alunos que consomem drogas cresceu 1,2% em três anos.

A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar, divulgada pelo IBGE no mês de junho, mostra que 7,3% dos mais de três milhões de estudantes do nono ano já usaram algum tipo de entorpecente. Na Europa, uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde mostrou que 17% dos adolescentes com 15 anos já fumaram maconha. Nos Estados Unidos, este número sobe para quase 30%.

A psiquiatra e especialista em dependência química da ABEAD (Associação Brasileira do Estudo do Álcool e outras Drogas), Ana Cecília Marques, afirma que os números são alarmantes.

“A mistura álcool e cocaína produz uma substancia ainda mais toxica que cada uma separadamente, um coquetel que pode lesar o tecido nervoso. A maconha, parte do coquetel, dificulta ainda mais o processo de desintoxicação e recuperação. As três subiram no ranking, sinal de que estamos perdendo a guerra. Ressalto que o impacto no cérebro do adolescente, é imprevisível e pode gerar inúmeros problemas, bem mais graves que em um adulto”, alerta a psiquiatra.

Enquanto o uso de drogas ilícitas entre alunos do nono ano do Ensino Fundamental cresceu, o consumo de tabaco apresentou queda. Os dados do IBGE revelam que o número de alunos que fumaram pelo menos uma vez nas capitais caiu de 24%, em 2009, para 22%, em 2012.

O consumo de álcool se manteve estável, mas também é preocupante. 71% dos adolescentes já experimentaram bebidas alcoólicas e 21% já ficaram embriagados.

A pesquisa do IBGE mostrou ainda que a forma mais comum de obter bebidas alcoólicas é em festas e as meninas bebem mais do que os meninos. Por outro lado, eles compram mais bebidas nos supermercados. Como a média de idade dos adolescentes é de 14 anos, a venda de bebidas alcoólicas para os estudantes é proibida por Lei.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)