Álcool e crack correspondem a 80% das internações de adolescentes

Diário do Vale
Responsáveis por programas de acompanhamento de adolescentes dependentes químicos de Volta Redonda afirmam que o consumo de álcool e crack correspondem hoje a 80% dos casos de internação no município. Responsável pela coordenação do Gaia (Grupo de Atendimento Integral do Adolescente), Roberto Carlos da Silva, afirmou ainda que o desejo dos adolescentes e até das crianças em experimentar substâncias químicas está sendo despertado cada vez mais cedo.

– Nos últimos dois anos, muitos adolescentes passaram a consumir todos os tipos de drogas e aumentaram a incidência de internações na unidade que, de 56 casos aumentou para 72 – disse Roberto, acrescentando que o álcool, que normalmente começa a ser consumido no âmbito familiar vem em primeiro lugar, com 40 internações, seguido do crack, com 32 internações.

Ainda de acordo com Roberto, o vício em álcool pode ser classificado como um reflexo do espelho familiar, visto que muitos adolescentes no momento da internação sempre confessam que começaram a beber seguindo o exemplo de pais e responsáveis.

– A maioria dos casos de internações em decorrência do álcool vem de históricos onde o consumo teve início dentro de casa, com a autorização dos responsáveis. Involuntariamente nas festas de família ou nos fins de semana, eles oferecem e incentivam o primeiro ´gole` da bebida. Hoje temos registros em que adolescentes experimentaram bebidas alcoólicas pela primeira vez aos dez anos – revelou.

O coordenador reforçou que para combater os crescentes números de casos de drogas licitas e, principalmente, ilícitas, os métodos de atendimento de adolescentes foram divididos em dois sistemas.

– A dependência química é uma doença, que deve ser tratada com extremo cuidado e para que o tratamento aconteça da maneira correta estamos trabalhando com o antigo sistema do atendimento de convivência dia, de 8 às 17 horas, onde os jovens podem voltar diariamente para suas casas. Também trabalhamos com o sistema de internação por um período de três meses. Este método só é aplicado em casos extremos – informou, explicando que o local possui espaço para 20 internações, sendo que atualmente dez adolescentes estão internados.

Programa ´Consultório de Rua`

Em funcionamento há cerca de quatro meses, a Coordenadoria Municipal de Prevenção às Drogas vem realizando um estudo para definir a situação do consumo de drogas na cidade. De acordo com a coordenadora do órgão, Neuza Jordão, desde que o setor foi criado estão sendo realizadas constantes reuniões com todos os segmentos da sociedade – entre eles, todos os órgãos de segurança.

– Através de nossas reuniões e da discussão de ideias, estamos criando ferramentas para que o combate ao consumo de drogas lícitas, em especial o crack, que apresentou um aumento de 30% no último trimestre, diminua e tenha um tratamento de impacto em nossa cidade- ressaltou.

Sobre as ações preventivas de combate, a coordenadora destacou o programa “Consultório de Rua”, ação que consiste em criar uma abordagem direta para todos os usuários de drogas. Em especial os que estão em situação de rua.

– Em todas as internações compulsórias, o indivíduo é tratado como se ele fosse um todo, quando na realidade a verdadeira intenção do tratamento, deveria ser ao contrario e ele ser tratado como uma pessoa única. Esta é a visão de tratamento, que será utilizada em nosso programa no momento em que ele for implantado – destacou.

Neuza enfatizou ainda que os trabalhos vão depender do resultado de parcerias estratégicas, que já estão sendo desenvolvidas com conselhos, ONGs e toda a comunidade.

– Para que nosso trabalho renda frutos e tenha a visibilidade necessária, estamos desenvolvendo cursos, congressos e seminários. O combate à dependência química é uma área de atualização constante – informou.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)