Diálogo com filho cria vínculo e evita o consumo de drogas, afirma Comad

G1
Para presidente de conselho, problema comum nas ruas começa em casa.
Na quinta,jovem foi flagrado vendendo maconha em praça de São Carlos.

O caso de um jovem de 19 anos, aluno de um cursinho particular, flagrado enquanto vendia maconha na Praça da Catedral, no Centro de São Carlos (SP), chamou a atenção. Para o presidente do Conselho Municipal Antidrogas (Comad) de Araraquara, um bom diálogo com os filhos pode prevenir o uso de drogas e evitar que situações semelhantes ocorram. O rapaz foi preso na quinta-feira (19), após denúncia da mãe de um estudante.

“A denúncia é importante porque mostra que os pais têm um papel fundamental nessa questão. Não há como delegar ao poder público um problema que muitas vezes começa dentro de casa. O diálogo preventivo é fundamental para que os pais construam um vínculo de confiança com o filho”, disse Márcio William Servino, presidente do Comad.

Vídeos feitos pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de São Carlos flagraram o momento em que o suspeito vendia maconha para alunos do ensino médio de dois colégios particulares que ficam perto da Catedral, entre duas das principais avenidas da cidade. No vídeo, eles fumam cigarro de maconha tranquilamente e não se importam com o movimento de pessoas no local.

Denúncia

A Polícia Civil começou a monitorar a movimentação na praça depois de receber a denúncia da mãe de um estudante, há dez dias. O rapaz preso responderá por tráfico de drogas e, se condenado, pode pegar de cinco a 15 anos de prisão. Os outros jovens que compraram ou usaram a droga foram ouvidos e liberados.

“Quem dera que outras mães denunciassem, principalmente quando envolve um adolescente de uma classe social diferenciada, que parece que não existe problema ou que existe um direito maior ou diferente de outros cidadãos”, afirmou Servino.

Para o presidente do Comad, é preciso mudar o pensamento dos pais, que costumam ser coniventes com o uso de drogas lícitas.

“A família concorda com a utilização do álcool, que é, comprovadamente, a porta de entrada para outras drogas e deveria ser primeiramente combatido. Além disso, não tem diferença nenhuma entre um adolescente que usa crack e cocaína para uma criança de 13 anos que fuma um cigarro de maconha. A gravidade é a mesma”, alertou.

Sinais

Fatores sociais e físicos podem ajudar os pais a identificar quando os filhos estão usando drogas. Segundo Servino, os usuários costumam se afastar da família e dos amigos mais antigos, que muitas vezes não concordam com o vício.

“Ele vai se apegar aos amigos que possam ter a droga, porque não é sempre que ele vai ter dinheiro para manter o vício. Na questão física, depende do tipo da droga. A maconha engorda, enquanto cocaína e crack geram um emagrecimento muito grande e uma série de mudanças no organismo. É muito difícil colocar na cabeça de um adolescente os malefícios e as perdas, por isso o diálogo deve ser constante, para que se previna que isso aconteça”, explicou o presidente do Comad.

Combate

Na região, há diversos serviços para auxiliar no combate às drogas. Como o “Viva Voz”, que funciona pelo número 132, além dos locais que promovem atendimentos específicos nos municípios como o Caps AD, Amor exigente, Narcóticos Anônimos, entre outros.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)