Álcool é a porta de entrada para o mundo das drogas

Folha de Campo Largo
Muitos campo-larguenses estão assustados com as apreensões de drogas na cidade, até mesmo com crianças, e todo o contexto a que ela pode estar inserida, motivando assaltos e homicídios, por exemplo.

Isso não quer dizer que todos os usuários cometam delitos, mas incentivam isso, porque sustentam o tráfico de drogas. O vício tem começado cada vez mais cedo e ao contrário do que muitos pensam, a dependência inicia a partir de uma droga aceitável, com baixo custo e fácil acesso: o álcool, muitas vezes também associado ao cigarro.

A psicóloga do CAPS AD Andrea Hamasaki, comenta que a maioria dos pacientes em tratamento de drogas ilícitas contam que tudo começou com o álcool. Os pacientes relatam que “bebem e perdem um pouco a questão do julgamento e vão no embalo, não pensam se é bom ou não, não estão preocupados com regras”. De acordo com pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas – ABEAD, o consumo crônico de doses elevadas de álcool muda o funcionamento do cérebro, altera a estrutura e aumenta a atividade de uma área cerebral associada ao comportamento impulsivo e à formação de hábitos. Com o tempo, o funcionamento dessa região passa a prevalecer sobre a tomada de decisão consciente.

Quanto aos motivos para começar a beber, são inúmeros e variam bastante, mas muitas vezes passa a funcionar como aceitação. Por ser por falta de estrutura familiar, algum problema pontual na família, falta de educação, de carinho, entre outros. “Crianças saem de casa e se envolvem com drogas como uma fuga. Muitas vezes no meio em que ele se insere o consumo de drogas acaba sendo a forma dele se sentir acolhido”, comenta a psicóloga.

O uso de drogas não está atrelado à renda familiar – acontece tanto em famílias menos favorecidas como com pessoas da mais alta classe social. “Pai e mãe precisam sempre acompanhar e prestar atenção nos filhos”, detalha Andrea.

Ainda há adolescentes que dizem só fumar maconha e justificam que não faz mal, pois até é usada em tratamento medicinal em outros países, mas a psicóloga afirma que causa, sim, danos físicos e psicológicos, além de causar dependência e estimular o consumo de outras drogas.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)