A bebida alcoólica, as crianças e os costumes

Comer para Crescer
O primeiro contato dos filhos com a bebida alcoólica se dá em casa na grande maioria dos casos. Foi assim comigo. Ainda adolescente adorava beber Martini com uma cereja (olha que chique!) com a minha mãe. Acho que tinha uns 14 anos. Foi em casa que experimentei caipirinha (meu pai prepara a melhor caipirinha ever), vinho e cerveja. Só não tomei cachaça. Não virei uma alcoólatra, acho, porque não bebia demais (nem em grande quantidades nem com frequência) e também porque não tinha predisposição para desenvolver a doença. Ou seja, 50% foi por pura sorte.

Algo que a jornalista Bárbara Gancia não teve. Ela conta ter tido o primeiro porre aos 3 anos. O segundo, aos 6. O terceiro, aos 9. Todos em casa. Aos 30 era alcoólatra, doente. Hoje, conta abertamente a sua péssima experiência com a bebida e que não pode mais chegar perto sequer de um copo, justamente pelo uso indevido que começou na infância, se manteve na adolescência

A bebida alcoólica sempre esteve presente na minha casa. E a partir de uma determinada idade, acho que na pré-adolescência, com a curiosidade latejando a alma, passei a me interessar por experimentar aquilo que movimentada meus pais, meus tios, tias. Existia sempre um clima de alegria em volta da cervejinha, do vinho, da caipirinha e até do martíni. Não tenho registrado na memória cenas da minha família beber em momentos tristes. Nessas horas, a bebida mais forte era café.

É bom deixar claro que meus pais nunca tiveram problemas com álcool. De vez em quando, exageravam na dose. Mas na maior parte do tempo eram daquele tipo de pessoas que sabiam a hora de parar, que nunca bebia durante a semana. Lembro de uma vez ter perguntado ao meu pai quando ele sabia que era hora de parar de tomar cerveja. E ele respondeu: “Quando ela começa a descer amarga na garganta!”

Oi? Cerveja é amarga… Como assim? Tive de descobrir sozinha a minha tolerância.

Enfim, a bebida alcoólica faz parte da sociedade desde tempos imemoriais. O homem bebe principalmente para celebrar. E todo mundo tem uma história de infância e adolescência de contato com álcool para contar. Quem não tem, mente! Todo mundo tem uma história de porre homérico da adolescência para contar. Mentira. Nem todos têm. E alguns mentem.

Pois o problema reside justamente na tolerância brasileira da combinação criança/adolescente + pode bebericar uma caipirinha, acreditando que “um gole de vinho não faz mal”. Faz sim. O corpo da criança e do jovem está em desenvolvimento e não combina com ingestão de álcool. Logo, criança e menores de 18 anos não podem beber álcool e não se discute mais.

Será?

Projeto Papo em Família

Pesquisas indicam que os jovens brasileiros estão em contato com o álcool cada vez mais cedo. Tem sempre um jovem sedento de curiosidade para experimentar. Tem sempre um adulto idiota para oferecer. E aí falar sobre esse assunto com os filhos acaba virando um tema difícil, quase no mesmo nível que sexo. Todo mundo sabe que precisa falar sobre mas nenhum adulto sabe muito bem por onde começar.

Pesquisa feita a pedido da Ambev sobre a importância de se falar a respeito desse assunto com os filhos descobriu que 48% dos pais não o fez por achar que o filho é muito jovem. Daí não se fala sobre consumo inadequado de um jeito simples e direto na infância. Quando os pais tomam a iniciativa, a filha ou a filha já estão na adolescência, fase das experimentações e do diálogo difícil. Ou seja, a chance de não rolar conversa e sim discussão é grande.

Para quebrar esse paradigma, e outros, a Ambev lançou o programa Papo em Família, que “tem o objetivo de estimular o diálogo sobre bebidas alcoólicas no âmbito familiar e educacional.” Muita gente fera no assunto participou da elaboração desse projeto como a psicóloga Rosely Sayão, o psiquiatra e coordenador do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da USP, Dr. Arthur Guerra de Andrade, o professor da Unifesp e fundador da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e Outras Drogas, Dartiu Xavier da Silveira.

A Mauricio de Sousa Produções criou um conjunto de materiais didáticos multimídia – livro, webséries, revistinhas e tiras – ilustrados com os personagens da Turma da Mônica, Turma da Mônica Jovem e Turma da Tina. O primeiro produto é uma simpática cartilha para pais e professores e que já está disponível para download gratuito no site da empresa. Vale a pena dar uma lida mesmo que filhote seja um ser pequenino. Nesse tema, em especial, é sempre bom estar um tantinho antecipado.

Tem ainda dois vídeos simpáticos para as crianças assistirem e, quem sabe, a partir deles, iniciar uma conversinha sobre o comportamento do Cascão e do Cebolinha, assim como quem não quer nada, só para sondar as ideias que passam pela cabeça dos filhos.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)