Inclusão social – Usuários de droga usam a sustentabilidade para sair do vício

O Estado
A sustentabilidade, agora, está virando instrumento de inserção social para cerca de 30 pacientes, usuários de drogas, da Unidade de Acolhimento Adulto Dr. Silas Munguba da Prefeitura de Fortaleza. Através de oficinas de reciclagem, os dependentes químicos aprendem lições sobre cidadania, preservação do meio ambiente e artesanato. O projeto Reciclocidades da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), além de ajudar a tratá-los ainda incentiva a inclusão social.

De acordo com a coordenadora da unidade, Sheila Mirelly Arrais, o projeto tem como finalidade capacitar jovens e adultos para trabalhar com o aproveitamento de material reciclável para confecção de artesanato. As oficinas de reciclagem são ministradas por técnicas sociais e artesãs que utilizam garrafas PET, como material. Elas ensinam artesanato como bijuterias, caixinhas para presente dentre outros produtos. Além das oficinas, os participantes também participam de dinâmicas de vivência que trabalham a motivação, autoestima e o trabalho em equipe.

“O projeto serve para que os pacientes tenham consciência ambiental e aprendam mais sobre a preservação da natureza. A maioria dos participantes é usuário de drogas como álcool e crack. Dentro da unidade, este projeto visa trabalhar com a comunidade, os ajudando a conquistar a reintegração social e uma mudança de vida”.

Segundo a coordenadora da Unidade Dr. Silas Munguba, Sheila Arrais, as oficinas irão favorecer a integração grupal, a organização, flexibilidade mental e criatividade através da prática das atividades. “A atividade também é um forma de estarmos recuperando a autoestima desses usuários”, salientou.

Sheila ainda informou que depois desse momento de sensibilização, a proposta é que eles recebam mensalmente o Projeto Reciclocidades, para que assim, os usuários possam fazer uma mostra do trabalho produzido. “É uma forma deles sentirem-se valorizados”, ressaltou.

GERAÇÃO DE RENDA

Outra atividade que está sendo realizada pelos usuários é a cultivação de diversas hortaliças. Todos os usuários plantam e cuidam da plantação em horários diversos. Segundo Sheila, a Horta é um incentivo a responsabilidade ambiental e preocupação com a natureza, além de ajudar no tratamento dos usuários internados na Unidade. “A horta é para eles uma terapia, um recomeço de vida”, afirma.

Sheila explicou que as oficinas também estimulam a entrada no mercado de trabalho, oferecendo o aprendizado de um ofício que pode gerar renda e ajudar as famílias dos usuários. Ela ressaltou que muitos pacientes, devido o vício, estão desempregados há muito tempo e, na maioria das situações, não sabem como voltar a ter uma vida produtiva.

A coordenadora disse ainda que este tipo de atividade ajuda ainda mais no tratamento da dependência química, já que é utilizada como um instrumento de assistência assim como a psicologia e outros tipos de intervenções multidisciplinares. Nesta semana, os pacientes terão oficinas de arte e reciclagem de outros materiais.

“Eles gostam muito e recebem muito bem este tipo de terapia ocupacional. A partir do momento que trabalhamos a geração de renda, além da terapia, os resultados são extremamente positivos. Com este tipo de trabalho é possível tirá-los das drogas de forma mais rápida”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)