O consumo de álcool no contexto profissional

O consumo de bebidas alcoólicas é bastante comum no ambiente de negócios, quer em Portugal, quer noutros países. É, inclusive, considerado como essencial na construção de relacionamentos, que se estabelecem ou fortalecem a uma mesa de refeição.

Na semana passada, um consultor questionava-me sobre a importância da ingestão de álcool numa refeição com clientes. Num almoço com clientes, onde também estava presente a sua chefia, viu-se confrontado com o facto deste último insistir para que ingerisse um reputado néctar dos deuses, oriundo de uma região demarcada de Portugal. A pessoa em questão viu-se numa situação embaraçosa porque, por um lado não podia dizer qual o motivo pelo qual não podia beber vinho e, por outro, estava à frente da sua hierarquia e do cliente. A forma como contornou o problema foi muito eficaz tendo dado uma justificação relacionada com problemas de saúde.

Muitas pessoas, ao sugerirem a ingestão de bebidas, nem se apercebem de que isso pode constituir um problema. A título de exemplo, refiram-se questões de dependência, temer não se ficar tão alerta e consciente, sofrer de problemas de estômago e evitarem-se efeitos colaterais como uma dor de cabeça; ou não beber por questões de segurança, uma vez que depois se vai conduzir. Desculpar-se com uma alergia a certas bebidas, também pode ser uma alternativa, se for viável. Lembre-se que ao usar alguma doença como desculpa, tem de ser coerente. É estranho alguém não beber vinho porque tem problemas de estômago e depois escolher um menu muito pesado.

Mesmo que se encontre na presença de colegas deve evitar, quanto mais não seja por mero bom senso, insistir para que se ingira álcool. Além das razões indicadas há uma outra muito evidente: a religião. Imagine o constrangimento causado, ao querer ser-se agradável para com o convidado, insistindo no consumo de bebidas, quando a sua religião não o permite?!

Em vários países, por exemplo, na China, Coreia do Sul, Rússia ou Polónia, o consumo de bebidas funciona como uma oportunidade para as pessoas se conhecerem melhor. Nos países maioritariamente muçulmanos, é melhor abster-se de pedir álcool, podendo mesmo ser ofensivo. Informe-se com a devida antecedência sobre o país e os seus costumes.

Se não domina a temática dos vinhos, evite expor-se, peça ajuda a um profissional especializado, ou consulte alguém de confiança presente na mesa. O que nunca pode acontecer é ficar embriagado numa refeição de negócios. Tenha, portanto, atenção ao que bebe e à respetiva quantidade.
Autor: Susana de Salazar Casanova
OBID Fonte: www.sabado.pt