Rondonópolis é sede de seminário regional sobre drogas e paz

Midia News
Existem hoje no Brasil aproximadamente 65 mil pessoas em comunidades se tratando contra as drogas em cerca de 1.822 instituições com reconhecido trabalho de relevância

Durante toda a sexta-feira (29), Rondonópolis foi o foco das atenções e palco das principais discussões estaduais acerca de políticas de ressocialização e recuperação de dependentes químicos. Representantes da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Mato Grosso escolheram o Centro Cultural ‘José Sobrinho’ para se reunirem com lideranças da região sul do estado para um debate que está ocorrendo nos quatro cantos mato-grossenses. O 3º Seminário Regional Sobre Drogas e Paz com o slogan ‘As suas escolhas fazem o seu futuro. Drogas, escolha dizer não’, trouxe à cidade especialistas em nível nacional sobre o assunto.

Referência no Brasil sobre o assunto e ex-depende químico, recuperado por uma comunidade terapêutica, Célio Barbosa, é hoje o presidente nacional das casas de recuperação iguais a que ele mesmo passou para se livrar das drogas. Primeiro palestrante do dia em Rondonópolis, ele fortaleceu a importância de haver uma rede entre todos os agentes envolvidos no processo de amparo social para que o trabalho final de recuperação do indivíduo alcance as metas propostas.

“A internação é voluntária, mas há uma grande confusão porque não fazemos tratamento de saúde e a própria Organização Mundial da Saúde – OMS reconhece isto. Tem de funcionar a rede completa na saúde, ação social para que as comunidades terapêuticas, que é a última fase desta cadeia, funcione efetivamente para esta pessoa”, ressaltou Barbosa.

Segundo informações passadas pelo presidente, existem hoje no Brasil aproximadamente 65 mil pessoas em comunidades se tratando contra as drogas em cerca de 1.822 instituições com reconhecido trabalho de relevância. No entanto, o presidente alerta que há muitos perigos e ‘falsas’ organizações que podem até mesmo agravar a situação do paciente. “Uma comunidade terapêutica é formado por um corpo clínico completo, que envolve médicos, psiquiatras, enfermeiros, seguranças devidamente registrados e capacitados e demais outras exigências. Se não for assim, trata-se apenas de uma limpeza étnica e um desserviço à sociedade”, defendeu.

O secretário adjunto de Justiça e Direitos Humanos do Estado, Nestor Fidelis, abriu a solenidade destacando a importância de todos os envolvidos, sejam da Polícia Militar, Civil ou Federal, Corpo de Bombeiros, membros entidades e servidores públicos presentes no seminário de opinarem e buscarem por novas informações acerca dos programas já disponíveis pelo Estado para este setor. Nestor ainda fez questão de incluir o álcool quando falou do alto índice de indivíduos que tiveram o seu comportamento alterado por ingerir qualquer tipo de alucinógeno. “Em cerca de 90% da violência doméstica registrada no Brasil, o homem está embriagado ou sob o efeito de drogas. Vemos ainda um aumento de 150% no número de mortes no trânsito pelo mesmo motivo. É mais do que necessário incluir este assunto na Educação Pública e termos a imprensa como grande aliada”, avaliou o adjunto da pasta.

A presidente do Conselho Municipal Antidrogas, Cleuza Alvez Diniz, destacou o fato de Rondonópolis estar recebendo um evento de tal importância em nível estadual. Cleuza mostrou que também é defensora de uma política mais entrosada entre todos os profissionais que atuam na recuperação, sobretudo de jovens envolvidos no mundo das drogas. “Só quando sentarmos para pensar e atuarmos todos juntos é que vamos avançar. O entrosamento neste caso é fundamental, até porque não se trata de uma só etapa para recuperar alguém. Temos o primeiro foco que é a prevenção, depois se desenvolve o tratamento e este cidadão tem de ser devidamente reinserido, ou então se perde tudo. Se não houver um acompanhamento eficaz depois que esta pessoa é tratada, certamente há uma grande chance de acontecer do investimento ser em vão”, frisou.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)