Palestras em Araraquara orientam pais e filhos sobre o vício nas drogas

G1
Segundo estudo, 28 milhões de brasileiros vivem com usuários de drogas.
Evento do Comad alerta para a importância do diálogo em família.

Um ciclo de palestras realizado em Araraquara (SP) nesta sexta-feira (6) dá orientações para pais e filhos sobre as dificuldades geradas pela dependência química e alerta para a importância das conversas em família como prevenção para evitar o envolvimento dos jovens com as drogas. Estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgado esta semana aponta que 28 milhões de pessoas vivem, no Brasil, com um dependente químico em casa.

Uma mãe que prefere não ser identificada sofre com a dependência do filho. “Ele começou com a maconha e de uns dois, três anos pra cá eu descobri, já desconfiava que ele estava usando, eu não sei se o crack ou cocaína”, relatou. Segundo ela, ele começou a usar drogas há sete anos e há um mês o filho pediu para ser internado em uma clínica de recuperação. “Eu fico aliviada, hoje eu deito, durmo, sei que ele está dentro de casa”, disse.

Ciclo de palestras
Na palestra promovida pelo Conselho Municipal Antidrogas (Comad) para incentivar as conversas em família sobre o assunto, os adolescentes foram os primeiros a participar do encontro. “Se a família não apoiar e falar: ‘ah, usa droga, é tranqueira’, não adianta. Tem que chegar, apoiar o filho, caso contrário jamais a pessoa vai parar”, afirmou um jovem que também preferiu não ser identificado.

As conversas são para jovens a partir dos 13 anos. “Hoje o número de usuários de drogas cresce vertiginosamente principalmente neste meio, entre 13 e 21 anos, uma idade crítica de formação corporal e física, na qual esse uso de drogas precoce pode causar uma série de consequências, como doenças, problemas sociais, de trabalho, de estudo, comportamento e por aí afora”, disse o presidente do Comad Marcio Servino.

Servino quer chamar a atenção dos pais para a importância de ficarem atentos a alguns sinais de dependência. “Desde a identificação de um baseado simples, da forma de preparo, uma seda, ou nessa tecnologia nova, como aplicativos que infelizmente ensinam como preparar um cigarro de maconha, que ensina como cheirar cocaína”, comentou.

Mudança de comportamento
Um levantamento da Unifesp mostrou que quase metade dos entrevistados descobriu o uso de drogas pela mudança no comportamento do usuário. Foram as atitudes estranhas do filho que alertaram a dona de casa Dolores Comeron. Há mais de 30 anos ele é usuário de álcool e drogas. “Os parentes se afastam, os amigos, ficam marginalizados, e deixam a família marginalizada também”, contou.

Ela diz que tentou vários tratamentos. “O meu filho usa de tudo, é pinga, é maconha, é crack, o que vier ele usa”, afirmou. Para a outra filha dela, Márcia Dolores da Silva, sempre há tempo para encontrar uma saída. “A gente batalha para ele melhorar e aí dá tudo errado, só desgosto, mas a gente ainda acredita que pode melhorar e que nunca é tarde, por isso ficamos na esperança”.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)