Cigarro eletrônico passa a ser proibido em Nova York

Dez anos depois da proibição do fumo em lugares públicos fechados de Nova York, em uma iniciativa que logo se alastrou pelo mundo, o hábito ensaiava uma volta, com a crescente popularidade dos cigarros eletrônicos. Mas os vereadores da cidade decidiram, por 43 votos a oito, estender ao novo produto as restrições de locais para o consumo do cigarro convencional.

Vendidos como uma alternativa menos prejudicial, os dispositivos – que são movidos a bateria e liberam uma solução de nicotina sem tabaco, produzindo vapor no lugar de fumaça – vêm de certa forma tornando o cigarro aceitável novamente, desfazendo um trabalho de combate ao tabaco que consumiu décadas, desde que seus malefícios se tornaram impossíveis de ignorar.

Nesta linha, a presidente da Câmara de Vereadores, Christine Quinn, defendeu que permitir o uso de cigarros eletrônicos em locais fechados poderia fazer com que fumar nesses lugares voltasse a ser normal. Em novembro, ao sancionar lei que proíbe a venda de tabaco para menores de 21 anos, Bloomberg já tinha dado um passo contra os e-cigarettes ao incluí-los no texto. “Não queremos um só passo atrás nisso”, disse Christine.

O mercado dos chamados e-cigarettes já movimenta US$ 1,7 bilhão só nos Estados Unidos (o comércio de maços convencionais, por sua vez, chega a US$ 90 bilhões). Para os fabricantes, Nova York teve pressa na decisão.

Testes
As empresas argumentam que seus produtos não são uma porta de entrada para o consumo do cigarro convencional, e sim uma ferramenta que ajuda a parar de fumar. Segundo um estudo publicado pela revista de medicina britânica “The Lancet”, 7,3% dos fumantes ouvidos pararam de usar tabaco depois de seis meses dedicados aos e-cigarettes – mas especialistas consideram apenas ligeiramente superior ao de fumantes que deixaram o hábito com a ajuda de adesivos de nicotina.

As companhias também afirmam que o e-cigarette é mais saudável por oferecer nicotina sem fogo, cinzas, fumaça, cheiro ou monóxido de carbono, e especialistas em saúde pública costumam concordar que o nível de toxinas é menor. Mas estes também ressaltam que o produto ainda não foi suficientemente estudado e, por isso, seus potenciais malefícios são desconhecidos.

Ainda não há regulação nacional sobre o produto nos EUA. Estados como Nova Jersey, Dakota do Norte, Arkansas e Utah já vetaram o uso de e-cigarettes em lugares públicos e fechados. Em Nova York, a proliferação é vista por alguns como uma ameaça que pode encorajar as novas gerações a adquirir maus hábitos.

O secretário de Saúde, Thomas Farley, fez coro: “Não podemos garantir que os e-cigarettes sejam seguros. Será que eles ajudam as pessoas a parar de fumar, ou será que ajudam a não parar? Enquanto precisarmos de mais estudos, esperar para agir é um risco que não devemos tomar.” Embora os números estejam caindo, os EUA têm, hoje, 40 milhões de fumantes tradicionais.
Autor:
OBID Fonte: Adaptado de g1.com